No depoimento prestado à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini antecipou que o governo deve adotar novas medidas para obrigar os bancos a reduzirem o ritmo de expansão do crédito para uma taxa entre 10% e 15%.
Ele destacou que hoje, apenas o crédito dos bancos comerciais a empresas cresce nesse ritmo e que o concedido ao consumo e os empréstimos do BNDES para pessoas jurídicas aumentaram de volume em cerca de 20% de janeiro a janeiro últimos.
"Crescimento de 20% já parece um pouco acima do que gostaríamos de ver nesse momento", observou Tombini. Mesmo considerando o aumento da inadimplência dentro da margem "natural" por conta da desaceleração da economia, ele insiste que o crédito precisa desacelerar para evitar "riscos excessivos" de piora no endividamento dos brasileiros.
"As instituições têm de entrar em um ritmo de crescimento (do crédito) de 10% a 15%. Acima disso, no ciclo atual, será avaliado com muito cuidado pelo BC", pregou o presidente do BC. Ele divulgou novos números sobre a entrada de dólares no país - aproxima-se de US$ 34 bi nos três primeiros meses de 2011, isto é, 40% a mais do que a entrada registrada em todo o ano de 2010 - via investimentos estrangeiros diretos em empresas e empréstimos obtidos por bancos e companhias brasileiras no exterior.
Fez a revelação para assinalar que parte desses dólares está alimentando um crescimento "não sustentável" do crédito no país, na contramão da ação do governo, o que, em sua opinião, justifica a adoção de medidas macroprudenciais para conter "excessos e distorções". Vejam, também, os posts "Inflação: obssessão pelo centro da meta" e "BC quer definir política econômica. Quem deve definí-la é o governo".
Promessa: novas medidas para conter crédito
Quarta, 23 de Março de 2011 às 07:10, por: CdB