O chefe da agência nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU) disse que o mundo pode estar rumando à destruição nuclear se a disseminação da tecnologia de armas nucleares não for contida.
Em artigo publicado pelo jornal New York Times desta quinta-feira, Mohamed ElBaradei escreveu que a tecnologia nuclear, que já foi praticamente impossível de ser obtida, está disponível agora através de uma ''sofisticada rede mundial capaz de distribuir sistemas para a produção de material usado em armas''.
ElBaradei reforçou o pedido do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, feito em um discurso na quarta-feira, para que os países intensifiquem o controle de exportações de suas empresas nucleares.
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse que o mundo precisava agir com rapidez, porque a falta de ação criaria um desastre de proliferação.
``A rede de fornecimento crescerá, tornando mais fácil adquirir conhecimento e materiais. Inevitavelmente, terroristas terão acesso a tais materiais e tecnologias, se não a armas de fato'', escreveu.``Se o mundo não mudar de curso, estamos em risco de autodestruição.''
O ``pai'' da bomba atômica do Paquistão, Abdul Qadeer Khan, admitiu na semana passada que ele e cientistas do laboratório Khan Research vazaram segredos nucleares. Acredita-se que eles fizessem parte de um mercado negro global organizado para ajudar países sob embargo, como Irã, Coréia do Norte e Líbia. Com isso, eles driblavam as sanções e obtinham tecnologia nuclear que poderia ser usada para fazer armas. A enorme rede ilícita chegou a pelo menos 15 países ao redor do mundo.
ElBaradei afirmou que o Tratado de Não-Proliferação, de 1968, que visa ao fim da disseminação de armas atômicas, precisava ser revisto e reforçado para atender as demandas do século 21.
Em clara referência aos EUA, que pretendem continuar com pesquisas sobre as chamadas miniarmas nucleares, ElBaradei observou que o mundo deveria enterrar a idéia de que as armas nucleares são boas enquanto estiverem nas mãos de alguns países e más nas de outros.
``Precisamos abandonar a noção de que é moralmente repreensível para alguns países procurarem armas de destruição em massa, enquanto é moralmente aceitável para outros'', disse.