Rio de Janeiro, 28 de Maio de 2026

Projeto de Reforma da Previdencia no Brasil é igual na Alemanha e França

Quarta, 07 de Maio de 2003 às 10:59, por: CdB

O debate sobre a reforma da Previdência que acontece no Brasil também está sendo realizado neste momento em outros países como Alemanha e França. Segundo o economista e especialista em Previdência da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Vinícius Carvalho Pinheiro, a proposta de reforma no Brasil está seguindo uma tendência mundial que busca homogeneizar as regras da aposentadoria. Carvalho Pinheiro citou o debate que acontece na França, onde a aposentadoria do trabalhador do setor privado, que tem que contribuir mais tempo para se aposentar que o servidor público, é substancialmente inferior a do funcionário público. De acordo com o primeiro-ministro da França, Jean-Pierre Raffarin, as reformas para acabar com as desigualdades terão de ser aprovadas até o fim deste ano. A idéia do governo é incentivar também servidores públicos a adotarem planos de complementação privatizados, os chamados fundos de pensão. Para a técnica em Direito Previdenciário, Leny Xavier de Brito e Souza, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está no caminho certo para viabilizar as reformas. - Existe um medo entre os servidores, mas sem este sacrifício, o Brasil sairá perdendo e muito. A estrutura do Estado não sustenta mais o modelo. A conta já está muito cara - diz Brito e Souza, que também é funcionária pública. Assim como no Brasil, as propostas de reforma em andamento na França e na Alemanha também sofrem forte oposição por parte de sindicatos e, no caso alemão, de membros do próprio partido governista. A crise da Economia alemã é um dos motivos que levaram o governo social-democrata de Gerhard Schröder a propor cortes na Previdência. Pelo pacote alemão, a ser finalizado até início de junho, haverá redução nos benefícios dos inativos, e a idade mínima para aposentadoria pode passar de 65 anos para 67 anos. Para Carvalho Pinheiro, ex-secretário da Previdência no governo Fernando Henrique Cardoso, as pressões são normais. - A oposição é parte do jogo político. Na França, os servidores vão para as ruas em protesto, isso é normal. O que não se pode permitir é que as reformas, que são infinitamente mais importantes para o futuro do país, sejam comprometidas por causa destas pressões. Segundo Carvalho Pinheiro, as reformas são apenas o primeiro passo na direção para evitar um cenário de deterioração crescente sobre a economia. - A reforma é a longo prazo. No Brasil, a proposta é ambiciosa, pois deve atingir a geração de trabalhadores atual, inclusive os inativos. Aqui na França, a reforma vai ser aplicada gradualmente até 2008, e só vai afetar a geração futura - diz ele. O tema da reforma brasileira foi o assunto de um dos editoriais do jornal Financial Times nesta terça-feira. Segundo o editorial, o Brasil tem que continuar lutando para conseguir passar as reformas da previdência e tributária. E ainda segundo o editorial, o Brasil precisa estar atento ao risco que pressões de sindicatos e de outros grupos podem representar, fazendo com que as reformas terminem em fracasso no Congresso.

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