O Centro de Recursos Integrados de Atendimento ao Menor (Criam), unidade da Secretaria da Infância e da Juventude, está desenvolvendo o Projeto Identidades que pretende mostrar para todos um pouco da história de cada um dos jovens que cumprem medida sócio-educativa em regime de semi-liberdade e liberdade assistida.
O programa é um projeto de artes, no qual os adolescentes participam de uma sessão de pintura coletiva, feita com tinta acrílica profissional, numa tela de lona de aproximadamente 160cm x 200cm.
- O painel é coletivo, mas cada um imprime a sua identidade. Vemos cores alegres e um traço mais sóbrio num mesmo painel. Ao mesmo tempo, eles acabam aprendendo a respeitar os limites do outro. É muito enriquecedor desenvolver este trabalho - conta um dos coordenadores do projeto, o artista plástico Orlando Rafael.
Orlando e o professor de arte do Degase (Departamento Geral de Ações Sócio-Educativas), André Porfiro, conseguiram um feito: três telas dos meninos do Criam serão expostas, pela primeira vez, no V Encontro do Instituto Hemisférico de Performance Política, que começa amanhã e vai até terça-feira que vem, na Universidade Federal de Minas Gerais.
O instituto, órgão ligado à Universidade de Nova Iorque, tem por objetivo fornecer informação a acadêmicos, artistas e ativistas políticos que estejam trabalhando com a relação entre a política e a performance - leia-se dança, teatro, artes plásticas - nas Américas.
Orlando Rafael está ansioso com a exposição, mas, ao mesmo tempo, confiante.
- Esses meninos fazem pintura moderna, contemporânea. São orientados não para o que devem fazer, mas como devem fazer. E o que vemos é um trabalho de forte expressão, característica dos jovens - avalia o artista plástico.
Porfiro acrescenta que o objetivo do projeto não é formar artistas - o que pode ser uma conseqüência do trabalho - mas despertar a auto-estima e, assim, incluir os jovens na sociedade.
O Projeto Identidades, que conta com a parceria do IEC (Instituto de Estudos da Cultura e Educação Continuada), tem exatamente esta proposta de formar uma identidade. Segundo o diretor da unidade, José Botelho, muitos adolescentes chegam ao Criam sem nenhuma referência.
- Muitos chegam sem certidão de nascimento e alguns sequer têm contato com a família. Aqui nós tiramos os documentos e oferecemos os cursos gratuitamente, além de vale-transporte. Com isso, conseguimos muitas vezes mudar a realidade desses jovens - conta Botelho.
Segundo ele, o desafio agora é conseguir lugares para a exposição dos painéis, 10 no total.
- Seria interessante se conseguíssemos expor em outros órgãos do governo como a Secretaria de Cultura - planeja Botelho, que está orgulhoso não só pela exposição em Minas, mas também com a formatura de 60 jovens nos cursos de informática, violão, marcenaria e elétrica.
A formatura, pela primeira vez, acontecerá fora da unidade. Será na Casa de Cultura de Nova Iguaçu, no dia 7 de abril, onde também haverá uma exposição de quadros pintados pelos adolescentes. No Criam de Nova Iguaçu são oferecidos cursos de informática, marcenaria, elétrica, aulas de reforço escolar, de violão, de educação física e de manutenção de eletrodomésticos, além das aulas de artesanato e pintura.
Outra empreitada iniciada pelo Criam de Nova Iguaçu, que hoje abriga 19 jovens em regime de semi-liberdade e 65 em liberdade assistida, é a formação de uma cooperativa, que inclui também jovens da comunidade, em parceria com o Sebrae.
- Dentro de um mês, estaremos prontos para prestar serviços de informática e de marcenaria, entre outros. Estamos buscando parceiros para que eles venham a prestar serviço até para os órgãos do governo. É uma forma de dar uma oportunidade real a esses jovens - afirma.
R., de 19 anos, está contando com isso. Cumprindo medida sócio-educativa por tráfico de drogas, ele luta para