A polêmica sobre a proibição dos véus muçulmanos nas escolas quase rachou o Conselho Francês da Fé Muçulmana (CFCM), criado há apenas um ano, disse na terça-feira o líder do grupo.
O motivo do racha era a intenção dos muçulmanos radicais de desafiar a lei que proíbe o uso de véu muçulmano nas escolas públicas francesas, que entra em vigor em setembro. Os moderados pregam a obediência à lei, disse Dalil Boubakeur.
A campanha pela desobediência à lei havia sido lançada na semana passada pela União de Organizações Islâmicas Francesa (UOIF), mas uma reunião da CFCM na segunda-feira conseguiu apaziguar os ânimos e convencê-los a respeitar a proibição.
- Se eles tivessem insistido, teria havido um racha - disse Boubakeur na Grande Mesquita de Paris, comandada por ele.
- Isso teria dividido o Islã francês em dois campos, um rigoroso e fundamentalista e outro moderado e liberal - disse ele à Reuters.
O governo conservador da França resolveu promover o moderado Boubakeur e o frágil CFCM para tentar conter o aumento do radicalismo islâmico no país, que possui uma população de 5 milhões de muçulmanos, a maior da Europa.
Mas a rival UOIF, que seria próxima à organização fundamentalista Irmandade Muçulmana, é maior e mais bem financiada que os moderados. A influência da UOIF ficou clara no domingo, quando cerca de cem imãs se manifestaram em Lyon pelo direito das estudantes de usar o véu nas escolas.
O governo teme que a entrada em vigor da proibição, em setembro, cause protestos. O objetivo da lei, segundo o governo, é garantir a liberdade religiosa, mantendo a secularidade das escolas. Outros símbolos religiosos também foram proibidos, como crucifixos muito grandes ou solidéus judaicos.
- Nosso papel é lidar com possíveis conflitos com calma, sem aumentá-los - disse uma declaração do CFCM que ameaça de punição conselhos regionais que incitarem protestos.
A UOIF está tentando alegar que as meninas podem usar bandanas, por exemplo, cobrindo seus cabelos.