Com grande pompa e manchetes nos jornais foi lançado noúltimo dia 29 de junho o Programa Suape Sustentável. O governo estadual natentativa de mostrar que trabalha em sintonia com os anseios da sociedade, eque tem um modelo de desenvolvimento sustentável para o Estado, anunciou umprograma gerido por um fórum, que reúne o poder público, entidades da sociedadecivil organizada e iniciativa privada, cujo objetivo é propor e executar açõessustentáveis conjuntas no complexo industrial portuário de Suape.
O conceito de sustentabilidade para este empreendimentosignifica para o atual governo, nada mais "do que um processo produtivo cadavez mais eficiente e com tecnologia avançada”, e que o "sacrifício ambiental énecessário, para que ocorra o crescimento econômico”. Uma lógica completamentedesconectada com as exigências atuais, que exige que um empreendimento destanatureza conduza, além dos aspectos econômicos, a uma maior igualdade e justiçasocial, e a preservação ambiental. Também pouco se exerce da democraciaparticipativa, pois ao se anunciar a participação de entidades da sociedadecivil neste fórum gestor tripartite, nada é informado sobre quem são e quaiscritérios foram adotados para a escolha destas organizações.
Todavia, diferentemente do que é propagandeado, o que seconstata da realidade destes municípios, identificados como "estratégicos”, é afalta de compromisso com as necessidades sociais de seus moradores comoalimentação, habitação, vestuário, trabalho, saúde, educação, transporte,cultura, lazer, segurança. O caos urbano é uma evidência, com destaque aosproblemas sociais crescentes como a violência, a insegurança, a exploração ecrimes sexuais. Problemas de desrespeito as leis trabalhistas pelas empresas deSuape também são conhecidos e de conhecimento público.
Nos primeiros quatro anos do atual governo foi difundido comintensa propaganda e apoio incondicional da mídia pernambucana, a ilusão e apromessa de que o crescimento econômico via Suape, levaria a redução e atéeliminação do quadro de pobreza vergonhosa e imoral. Contudo o que se destacouneste período foi o considerável passivo ambiental com o aumento dos conflitosprovocados pela frouxidão dos órgãos estaduais responsáveis pelo controle,fiscalização ambiental, conservação e recuperação dos recursos naturais, taiscomo a Agência Pernambucana de Meio Ambiente – CPRH, e a paralisação dafiscalização e exoneração de servidores do IBAMA que atuavam junto ao complexode Suape.
Lamentavelmente, em tempos mais recentes, o elogio fácil, aadesão por interesses pessoais e algumas vezes não republicanos, a ausência dacrítica; inibiu completamente o debate necessário sobre que tipo de crescimentoque esta ocorrendo no estado. Ao contrário do crescimento, que para constituirbase de um desenvolvimento sustentável, tem de ser socialmente regulado, com ocontrole da população e com a redistribuição da riqueza.
Algumas pessoas e entidades foram cooptadas e trazidas paradentro do aparelho do Estado, e lá se neutralizaram se anestesiaram, sedespolitizaram. O "oficialismo” tirou qualquer possibilidade de crítica e dereivindicação. Sindicalistas, militantes, ambientalistas tornaram-se assim, emmuitos casos, funcionários do governo. Outros, por um erro de avaliação,acreditando na expectativa de uma mudança de postura no trato das questõesambientais, aprovaram a transformação da antiga Secretaria de Ciências,Tecnologia e Meio Ambiente (SECTMA) em Secretaria de Meio Ambiente eSustentabilidade (SEMAS), e apoiaram como seu titular o ex-presidente estadualdo Partido Verde, candidato a governador em 2010, Sergio Xavier. Deram um"cheque” em branco a um governo que durante os quatro anos do seu primeiromandato em nenhum momento discutiu e aceitou, mesmo que parcialmente, asreivindicações e ponderações do movimento ambientalista. Esqueceram a leiproposta pelo governador e aprovada em abril de 2010 pela AssembléiaLegislativa, que autorizou o desmatamento de 691 hectares de vegetação nativa(508 hectares de mangue, 17 de mata atlântica e 166 de restinga) em Suape.
Agora chegou o Programa Suape Sustentável, com muitapropaganda e marketing, seguido de declarações otimistas de quem está dentro eacha que faz o máximo, tentando passar a sensação de realmente estar mudando,transformando o Estado, começando a virada, criando as condições para umdesenvolvimento sustentável. Assim, só é otimista quem precisa por dever deofício animar o auditório.
Resta aos iludidos, para aqueles que não aceitam mais trocar"o seis por meia dúzia”, nem aceitam o falso discurso da novidade e dos novoscaminhos, o fortalecimento dos movimentos sociais, da sociedade civil, pois sóassim poderemos nos mobilizar e garantir a elevação da qualidade de vida dospernambucanos.