Rio de Janeiro, 15 de Março de 2026

Programa sobre Mata Atlântica é lançado no Rio

Quarta, 13 de Dezembro de 2006 às 13:05, por: CdB

Com uma formação vegetal de pelo menos 20 mil espécies de plantas que se estende por todo o litoral brasileiro, a Mata Atlântica vem sofrendo com a ação predatória do homem. Da cobertura original de todo o país, restam pouco mais de 7% e no Estado do Rio de Janeiro, pode ser encontrada menos de 20% de Mata Atlântica. O governo do estado, através da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e da Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa), lançou oficialmente nesta terça-feira, na Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Centro do Rio, o "Programa de Mapeamento e Caracterização da Diversidade Biológica da Mata Atlântica do Estado do Rio de Janeiro".

O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Wanderley de Souza, e o vice-presidente da ABC, Carlos Eduardo Rocha Miranda participaram do lançamento. De acordo com o secretário, além de o programa ser de extrema importância para a ciência fluminense, ainda não há semelhante em nível nacional para proteção de ecossistemas desse porte.

O programa é fruto de uma parceria entre o governo estadual e o governo federal, representado através da Financiadora de Estudos e Projeto (Finep/MCT), e é coordenado pelo superintendente de difusão científica da Secretaria, Eloi de Souza Garcia. Ele é dividido por áreas de atuação e algumas delas foram apresentadas pelos pesquisadores responsáveis.

- Nós queremos formar um grande banco de dados, uma espécie de mapeamento da real distribuição das espécies existentes no ecossistema, para futura consulta pela comunidade científica de todo o país - disse o professor Hélio Silva, da UFRJ, responsável pela sub-rede de Herpetologia, da Rede de Vertebrados.

Criação de paca para comercialização

O professor Reginaldo Fonte, da Uenf (Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro), responsável pela Rede de Reprodução Animal - Primatas e Paca, apresentou uma proposta de projeto já desenvolvido na Universidade, que é a criação de paca para a comercialização.

- Queremos estudar a reprodução desse animal e formas de fertilização para aumentar o número de embriões por parto e a diminuição do espaço de tempo entre um parto e outro num mesmo animal - disse o professor Reginaldo.

A paca é o segundo maior roedor existente e sua carne é muito apreciada. Segundo o professor Reginaldo, o preço da carne da paca no mercado pode variar de R$ 40 a R$ 50 o quilo.

Uma das redes inovadoras no Programa é a Rede de Microorganismos. O professor Orlando Martins, da UFRJ, um dos que desenvolvem projetos na área, disse que "os microorganismos estão presentes em qualquer ambiente e seu estudo deve integrar diferentes grupos de pesquisa".

- Nossa idéia é ter uma abordagem não só bioquímica das espécies estudadas, mas também fazer sua identificação e isolamento para disponibilizar os dados obtidos através da Internet. Já temos uma estrutura criada na Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e provavelmente teremos a Embrapa e a UFRRJ como parceiros - disse o professor.

O secretário Wanderley de Souza ainda anunciou um dos primeiros passos do programa: será a inauguração do Laboratório de Microscopia Eletrônica do Jardim Botânico, nesta quinta-feira.

O laboratório contará com um microscópio de varredura eletrônica que será usado tanto por projetos do programa quanto também por toda a comunidade botânica das instituições científicas do estado.

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