Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2026

Programa e pautas dos movimentos sociais

Quarta, 15 de Dezembro de 2010 às 11:25, por: CdB

Veiculamos um programa que condensa as lutas populares, as propostas e a denúncia das lacunas deixadas pelo Estado brasileiro

15/12/2010


Pedro Carrano


É bem provável que a crise mundial do capitalismo terá desdobramentos na economia brasileira. Porém, seus efeitos ainda não foram percebidos pela classe trabalhadora como um todo, devido a medidas de contenção do Estado brasileiro.

Por isso, ainda no início de 2009, os debates sobre a crise propostos pelos movimentos sociais constataram a necessidade de um debate permanente sobre os problemas que agravam as condições de vida da classe trabalhadora. Nesse caso, a pergunta é como traduzir as demandas dos movimentos sociais junto ao restante da população.

Nessa perspectiva surgiu o Programa Projeto Popular, exibido pela TV Educativa do Paraná (Canal 9 da TV aberta, somente no estado, ou 115 da SKY), apresentado no formato de entrevistas temáticas, com a participação de dois convidados. Em 2010, foram exibidos 35 programas, apresentados pela jornalista Lizely Roberta Borges, completando o seu segundo ano no ar. Em 2009, haviam sido gravados 27 programas.

O Projeto Popular cumpriu a função de rede articuladora de lideranças do movimento social, sindical e da esquerda brasileira, contando com a participação de militantes, intelectuais orgânicos da classe trabalhadora e parlamentares progressistas.

Sem dúvida, há um campo expressivo da sociedade brasileira que ainda não conhece a própria força e representação enquanto classe. É importante notar que um meio de comunicação com maior alcance, visibilidade e estrutura potencializaria ainda mais este papel de articulação.

Neste contexto, foram sabatinados pelo programa Frei Sergio Görgen (Via Campesina), Antônio Carlos Spis (CUT), o sargento Amauri Soares (lideranças dos praças de Santa Catarina), entre outros representantes de organizações populares.

O Projeto Popular foi uma maneira de colocar à prova, a partir de uma ferramenta de diálogo com as massas como é a TV, o que a Via Campesina, as pastorais sociais, os movimentos do campo e urbanos vêm chamando de “Projeto Popular para o Brasil”. Ao eleger o temário do pré-sal, agrotóxicos, moradia digna, democratização dos meios de comunicação, reforma agrária, redução da jornada de trabalho, modelo de energia e crítica às hidrelétricas, meio-ambiente, entre outros, abrimos um canal de diálogo a partir de problemas concretos e da apresentação de alternativas do campo popular. Colocamos, nesse sentido, à prova a atualidade dessas questões para além das organizações sociais, buscando um público mais amplo.

Ainda temos léguas a caminhar no que se refere ao formato e linguagem do programa. Como não proprietária dos meios de produção e de informação, a esquerda revela-se pouco experimentada com a linguagem televisiva, que possui um alcance muito mais amplo que o velho (e bom!) panfleto. É urgente que a esquerda se aproprie desse veículo, elaborando conteúdos, para nesse processo lutar pelos canais de divulgação (TVs comunitárias, espaço nas estatais, canais das centrais sindicais, e mesmo na internet e youtube, etc), fomentando ao mesmo tempo o debate da democratização dos meios de comunicação.

Em suma, veiculamos um programa que condensa as lutas populares, as propostas e a denúncia das lacunas deixadas pelo Estado brasileiro, historicamente a serviço das elites. Espaços assim são pequenas conquistas dos movimentos sociais. Fizemos um breve ensaio, que devemos aperfeiçoar. Desses temas abordados, cabe apenas à classe trabalhadora desdobrá-los em lutas concretas.

Pedro Carrano é jornalista, correspondente do Brasil de Fato em Curitiba (PR)

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