O Programa Antártico Brasileiro (Proantar), que realiza pesquisas científicas sobre fenômenos antárticos que provocam impactos climáticos no país e no mundo, receberá investimentos do governo federal de R$ 15 milhões. Esse é o maior aporte financeiro recebido pelo programa para o fomento das atividades brasileiras na região.
Os recursos são destinados aos futuros projetos de pesquisa no âmbito do Proantar, que poderão ser apresentados até o mês de outubro ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). O edital para a inscrição de projetos foi publicado no Diário Oficial da União e lançado nesta terça-feira em solenidade realizada no ministério.
Serão disponibilizados R$ 12 milhões para cooperações entre países latino-americanos e R$ 3 milhões para monitoramento ambiental na Antártica, propiciando a integração de ações da comunidade científica latina e representando o passo inicial do fundamento desta cooperação.
Dos países signatários do Tratado da Antártida, o Brasil era um dos que menos investiam em pesquisa polar, em proporção ao Produto Interno Bruto. Em 2007, um levantamento mostrou que, em 23 anos, o Proantar só gastara em ciência R$ 25 milhões.
Com a Antártida ocupando um lugar cada vez maior na agenda científica global, graças às mudanças climáticas, essa falta de financiamento virou um problema.
O Proantar já tivera, em 2008, uma verba sem precedentes de R$ 10 milhões. Os cientistas temiam pela continuidade do financiamento.
O edital inaugura a experiência do "programa antártico sul-americano", ideia lançada no ano passado. O objetivo é que países do continente possam aproveitar a estrutura logística e financeira uns dos outros e fazer pesquisa em cooperação.
Além da verba recorde para ciência, a logística das operações antárticas, sob encargo da Marinha, recebeu R$ 7 milhões. No fim deste ano o Brasil estreia seu novo navio polar, o Almirante Maximiano.
O Proantar surgiu em 1982, mesmo ano em que ocorreu a primeira expedição brasileira na Antártica.
– O Proantar se inspira nas sugestões em ambientes internacionais e isso é incorporado ao programa. Os cientistas estão interessados em entender como as mudanças globais estão interferindo na Antártica, como a Antártica está reagindo a essas mudanças e quais serão as consequências dessas alterações –, explicou o geólogo do Instituto de Geociência da Universidade de São Paulo (USP) e membro do Proantar, Antonio Carlos Rocha Campos.
Segundo o MCT, após o período de apresentação dos projetos de pesquisa, o ministério irá promover uma campanha, nos meses de novembro e dezembro, sobre as expedições brasileiras na Antártica.