Rio de Janeiro, 06 de Agosto de 2026

Professores peruanos mantêm greve e governo anuncia demissões

Segunda, 09 de Junho de 2003 às 14:27, por: CdB

Os professores de estabelecimentos públicos do Peru, em greve há 29 dias, realizaram novas manifestações nesta segunda-feira em Lima e no interior do país, enquanto o governo do presidente Alejandro Toledo ameaçou demitir os que insistirem na paralisação. As manifestações dos professores constituem um desafio ao estado de emergência decretado há quase duas semanas por Toledo para tentar conter a onda de violentos protestos. O ministro da Educação, Gerardo Ayzanoa, percorreu alguns colégios de Lima e confirmou a presença apenas parcial de professores e alunos, enquanto os cartazes alusivos à greve continuam grudados nas fachadas. A mesma situação se repetiu em várias escolas de ensino primário e médio do interior. Ayzanoa ameaçou demitir os grevistas. - Agora sim é a sério, porque essa não é só uma decisão do gabinete ministerial, é uma decisão que foi tomada no mais alto nível - disse o ministro à rádio CPN. O governo e o magistério fecharam na semana passada um acordo preliminar que melhora as condições de trabalho dos 300 mil professores peruanos, mas os sindicalistas dizem que a proposta ainda está sendo examinada pela categoria. Uma decisão sobre o final da greve ou sua manutenção sai na próxima quarta-feira. A principal diferença é com relação a salários. O governo oferece um abono de 29 dólares mensais, mas os professores querem 60. A média salarial do magistério público peruano é de 200 dólares mensais. O governo argumenta que um aumento mais generoso colocaria em risco sua meta de superávit fiscal, fixada pelo FMI em 1,9% neste ano - 0,4 ponto percentual abaixo da meta exigida em 2002. Toledo esperava que o acordo provocasse o fim da greve, mas uma ala do sindicato se opôs. - O que me preocupa é a anarquia, porque não é possível que haja uma direção nacional que seja ignorada nos acordos. Quero fazer uma convocação para que tenhamos em conta o interesse maior das crianças - afirmou o bispo Luis Bambarén, que mediou o acordo. Toledo decretou o estado de emergência - que entrega aos militares o controle da segurança pública - num momento em que sua popularidade é de apenas 15%, a mais baixa desde que assumiu o governo, em meados de 2001. Em vez de acalmar a situação, o estado de emergência a agravou. Houve violentos confrontos entre manifestantes e soldados em várias partes do país, que deixaram um morto e cerca de cem feridos.

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