Professores de todo o país foram recrutados para viajar ao Timor Leste, ensinando professores locais a usar o português nas salas de aula. Em missão oficial do governo brasileiro, eles se despedem nesta terça e quarta-feira, no aeroporto internacional de Guarulhos, São Paulo,
e passarão um ano nesse país menor que Sergipe cravado entre a Indonésia e a Austrália. O valor dessa missão oficial para os cofres brasileiros, segundo a Capes, é de R$ 2,8 milhões.
Assim como o Brasil, o Timor Leste foi colônia de Portugal, mas uma semana após a independência, em 1975, a vizinha Indonésia anexou o Timor e, para cimentar a dominação, impôs o indonésio como idioma. O português foi lentamente abandonado.
Um referendo em 1999 decidiu pela independência. Português e tétum voltaram a ser as línguas oficiais, mas, hoje, pouco mais de 5% da população fala o idioma.Os professores se juntarão aos 150 portugueses que já estão lá com o mesmo objetivo. Essa é a terceira missão após a assinatura, em 2002, do acordo de cooperação entre Brasil e Timor. As primeiras missões ajudaram a traçar as diretrizes educacionais básicas do país asiático.
Dos 47 que embarcam nesta semana, muitos não hesitaram em interromper a carreira profissional ou acadêmica no Brasil. É o caso de Tarcísio Botelho, 32, que após uma semana de trabalho abandonou um projeto de alfabetização de filhos de catadores de papel em São Paulo:
- Sei que no ano que vem volto sem emprego, com uma mão na frente e outra atrás. Mas o idealismo de ajudar a reconstruir um país falou mais alto.
Ele não é o único a dizer que a bolsa mensal de US$ 1.100 (quase R$ 3.000) não foi o grande chamariz:
- Sempre quis fazer como o pessoal da Cruz Vermelha, recuperar países destroçados - conta a professora Jerusa Garcia, 48, referindo-se à guerra civil após o referendo de 1999 provocada por milícias pró-Indonésia, que custou vidas e a infra-estrutura do país.
Uma das preocupações da professora Ana Lúcia Souto, 38, é o vocabulário que vai usar ao falar com os timorenses:
- Não vai ser como dar aula no Brasil. As palavras terão que ser bem pensadas, não poderão ser coloquiais.
O ministro da Educação do Timor, Armindo Maia, que dará as boas-vindas aos brasileiros no aeroporto de Dili, trata de tranqüilizá-los:
- O jeito de falar não atrapalha. Tem sido até mais fácil para os timorenses se adaptarem ao português brasileiro. A vossa pronúncia é mais aberta - explica ele, com sotaque lusitano.