Trabalhadores em educação de todo o país participam nesta qurta-feira de uma marcha na Esplanada dos Ministérios. A ação é uma iniciativa da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e objetiva reivindicar para a educação o dinheiro empregado no pagamento da dívida externa.
Segundo a presidente da CNTE, Jussara Vieira, os manifestantes querem uma audiência com o governo, pois, até agora, só puderam discutir o assunto com o ministro da Educação, Tarso Genro:
- Não recebemos nenhum retorno do Palácio do Planalto e gostaríamos de dar continuidade nas conversações para a busca de algum acordo. É esse o motivo da marcha.
Jussara disse que já foram feitos estudos e projetos para a educação. Eles apontam que com o montante da dívida externa convertido em educação, será possível melhorar a qualidade do ensino público. Segundo ela, a CNTE precisa de mais ou menos R$ 180 bilhões para a realização dos projetos.
Manifestações em Curitiba e no Rio
Milhares de professores e funcionários da área de Educação participam de uma passeata nesta manhã em Curitiba, segundo os organizadores. Os manifestantes se concentram no centro da cidade e seguem até o Palácio Iguaçu onde serão recebidos por autoridades do governo. Eles reivindicam reajuste salarial, melhores condições de trabalho e um plano de cargos e salários.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Paraná José Lemos, as delegações vieram de vários municípios. Ele diz que, entre os manifestantes, estão 90 professores que caminharam durante cinco dias de Ponta Grossa a Curitiba, um trajeto de 100 quilômetros. De acordo com Lemos, professores e funcionários querem discutir as 23 propostas entregues às autoridades há 15 dias.
Os professores da rede estadual de educação do Rio de Janeiro e de vários municípios da região metropolitana fazem) uma paralisação de 24 horas nesta quarta, para reivindicar melhores salários. Mais de dois milhões de alunos ficarão sem aula no estado. Hoje também haverá ato público, na Cinelândia, como parte das atividades do Dia Nacional da Luta pela Educação Pública.
Professores e funcionários administrativos do Rio pedem um piso salarial de, respectivamente, cinco salários mínimos e três salários mínimos e meio. Atualmente, o piso salarial do professor é de R$ 431 na rede estadual e de R$ 631 no município do Rio.
Em Niterói, os profissionais de educação estão em greve há mais de 50 dias, e ainda não há sinal de acordo quanto ao reajuste salarial. O prefeito Godofredo Pinto (PT) não aceitou a reivindicação da categoria.
No âmbito estadual haverá uma assembléia no dia 10 de maio. Caso a negociação não avance, a assembléia poderá indicar até mesmo uma greve por tempo indeterminado.
- É possível que no dia 10 ocorra um movimento mais forte, porque na rede estadual não temos reajuste há 11 anos e, lamentavelmente, até hoje a governadora Rosinha Matheus não nos recebeu em audiência. O secretário de Educação, Cláudio Mendonça, tem dito que os professores estão faltando ao trabalho, mas o que falta são profissionais na escola. O concurso que o estado fez recentemente não supriu a carência da rede - afirma a coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) Gesa Linhares.
Em nota, a secretaria estadual de Educação diz que não há carência de professores na rede, uma vez que este ano foram convocados 9.395 concursados e foram contratados, por um ano, 2.500 professores temporários. Ainda segundo a secretaria, a média salarial dos professores é de R$ 1.011, contando o triênio e a gratificação do programa Nova Escola, sendo que esse valor pode chegar a R$ 2.043, caso o professor acumule horas extras.