Os trabalhadores da educação protagonizam amaior greve da história de Minas Gerais. Com mais de três meses de paralisação,professores (as) da rede estadual de ensino continuam na luta pelo cumprimentodo Piso Salarial Nacional, de R$ 1.597,87, e contra o achatamento de saláriosproposto pelo governador Antônio Anastasia, que ofereceu a todos ostrabalhadores, independente do tempo de carreira, um salário único de R$712,00.
O descaso com a educação não éexclusividade de Minas Gerais. Outros grandes Estados brasileiros como o de SãoPaulo e Rio de Janeiro, responsáveis pelos maiores PIBs do país, pagam aosdocentes vencimentos menores do que o Estado do Acre.
Enquanto um professor acreano recebe umsalário de até R$ 1.675,79 para um trabalho de 30h semanais, o mineiro recebeapenas R$ 369,00 de vencimento básico para ingresso na carreira.
A educação é um fator transformador dasociedade e não pode ser tratada como mercadoria, onde governadores barganhamreajustes e se utilizam da lei de responsabilidade fiscal para precarizar oserviço, criminalizando o movimento sindical e tentando jogar a sociedadecontra os professores. Ações como essa demonstram que investir no ensino, aocontrário do que disse em sua campanha, não está na lista de prioridades deAnastasia. Aliás, se é essencial, por que pagar tão mal?
Sede para a copa do mundo de 2014, MinasGerais transformou-se em um verdadeiro canteiro de obras. Com ajuda do governofederal, o Estado realiza grandes investimentos, não só na reforma do Mineirão– diga-se de passagem, também palco de greve –, mas principalmente em projetosde mobilidade urbana e na expansão do aeroporto de Confins. Com a importânciaque o Estado de Minas tem para o Brasil, é necessário investimentos em todas asáreas, principalmente em educação.
A responsabilidade também cabe aoMinistério da Educação, que não exige dos governadores o cumprimento da Lei doPiso Nacional como contrapartida para a liberação de recursos públicos, algoque seria essencial para garantir ao professor o mínimo de recurso para atuar ese qualificar. Como reflexo disso, na última avaliação do ENEM (Exame Nacionaldo Ensino Médio), foi confirmada a realidade do comprometimento da maioria dosgovernadores de nosso país com a educação. Mais da metade das escolasbrasileiras reprovaram no exame. Desse total 99,4% eram públicas.
É pela qualidade no ensino público e por umBrasil que valorize os seus trabalhadores, que os professores (as) de MinasGerais permanecem em greve. Essa bandeira de luta que deve ser levantada por todosos brasileiros e pela Central Única dos Trabalhadores com os seus sindicatosfiliados. As autoridades competentes como o governador e o Ministro da Educaçãonão podem se furtar ao diálogo, e precisam agir o mais rápido para solucionar oimpasse. Basta respeitar a lei.
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