Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Professores de educação física são contra criação do monitor de esporte

Quinta, 06 de Maio de 2010 às 08:05, por: CdB

Professores de educação física de todo o estado do Rio se reúnem nesta quinta-feira, a partir das 14h, em frente à Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em ato público contra o Artigo 90 E da Lei Pelé, que cria a figura do monitor de esporte.

O coordenador do Movimento pela Valorização do Profissional de Educação Física, Sergio Tavares, disse que o objetivo é suprimir o artigo, que já foi aprovado pela Câmara dos Deputados, “por pressão da bancada do futebol”, e irá ainda à votação no Senado.

O movimento é apoiado por entidades representativas da atividade, entre elas o Conselho Regional de Educação Física (Cref 1) e o Sindicato dos Profissionais de Educação Física (Sinpef), que consideram a lei inconstitucional.

Para Tavares, a criação do monitor de esporte tem caráter eleitoreiro, na medida em que irá beneficiar ex-atletas sem formação profissional, oriundos especialmente do futebol, “pelo simples fato de terem mantido contato com um esporte de rendimento”. Na sua opinião, o artigo tenta desqualificar a Lei 9696 de 1998, que criou a profissão de professor de educação física, com exigência de curso de graduação de nível superior.

A educação física praticada no Brasil é referência no mundo inteiro, lembrou Sergio Tavares. Ele acredita que a criação do monitor de esporte poderá significar o desemprego de milhares de profissionais em todo o país. Somente no estado do Rio, cerca de 30 mil professores de educação física estão credenciados pelo Cref 1 e há mais de 40 faculdades de educação física. No país, esse número ultrapassa 300 faculdades, de acordo com dados do conselho.

– Você imagina, de uma hora para outra, às vésperas do compromisso do segmento perante uma Olimpíada e uma Copa do Mundo, a gente se desqualificar indevidamente, quando deveria estar preocupado em qualificar ainda mais o nosso quadro. Querem transformar a Copa do Mundo em um espetáculo de pão e circo –, desabafou Tavares, acrescentando que o Artigo 90 E da Lei Pelé é inconstitucional e representa um retrocesso.

– Então, o que nós vamos fazer é lembrar isso aos políticos em audiência pública. É lembrar o custo político de não se posicionar devidamente, representando os interesses não só do Rio de Janeiro, mas de todo o país. A idéia é fazer uma corrente nacional contra esses oportunistas que não estão defendendo os interesses nem dos desportistas –, afirmou.

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