Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Professores do Ceará: 'Direção da APEOC impede deflagração da greve estadual

Sexta, 10 de Junho de 2011 às 12:35, por: CdB

Por Liga Bolchevique Internacionalista 10/06/2011 às 18:15

É necessária a organização da vanguarda classista e da base combativa da categoria para superar e passar por cima da direção traidora da APEOC, através da realização de zonais e de um fórum que possa unificá-los como um embrião de direção, capaz de arrancarmos a fórceps a greve dos professores da rede estadual, unificando com os companheiros do município


Antônio Sombra, dirigente da LBI, intervém no plenário

PROFESSORES - CEARÁ

DIREÇÃO DA APEOC, VENDIDA AO GOVERNO DA OLIGARQUIA GOMES, IMPEDE DEFLAGRAÇÃO DA GREVE ESTADUAL

Ocorreu nesta quarta-feira, 08/06, no Ginásio Paulo Sarasate, a assembleia geral dos professores da rede estadual convocada pela arquipelega direção da APEOC-Sindicato. Mais de dois mil companheiros estiveram presentes, após os pelegos imporem dois anos sem campanha salarial para não se chocar com o governo da oligarquia "socialista" dos Ferreira Gomes. A direção do sindicato, completamente desmoralizada e odiada pela base, montou um esquema burocrático de credenciamento, só permitindo a entrada dos professores que apresentassem contra-cheque e credenciando com crachá de votação apenas os sócios da entidade, ou seja, transformou este importante fórum de toda categoria em uma assembleia restrita aos filiados, usando todos os meios para impedir a deflagração da greve estadual.

A direção da APEOC iniciou a assembleia debaixo de uma sonora vaia, sobretudo, durante a intervenção do seu presidente Anízio Melo, que mal conseguia falar. A burocracia sindical governista da CUT, CTB e da CNTE que estavam na mesa que dirigiu a assembleia como convidados também recebeu o mesmo tratamento durante suas intervenções.

O justo ódio da categoria a direção da APEOC chegou ao nível máximo com a sua tentativa de vender gato por lebre ao apresentar o resultado das negociações ocorridas no último dia 06/06 como uma grande vitória. Não houve nenhuma conquista significativa para o conjunto da categoria nesta audiência; ao contrário, a tônica foi a negociação de perdas como, por exemplo, a diminuição do interstício de 5% para 4% nas progressões, manutenção interstício entre a classe do professor de nível médio e superior (60%) e discutir (diminuir) os índices para os especialista, mestres e doutores. Quanto ao que deveria ser o foco da negociação, a implantação da Lei Nº 11.738, que estabelece o piso salarial dos profissionais do magistério, o governo Cid Gomes (PSB, PT, PCdoB, PMDB, PSDB), mesmo após a ter sua ADIN julgada pelo STF como improcedente, simplesmente passa por cima da lei e se nega a efetivá-la. A linha adotada pelos gerentes da burguesia, a exemplo dos governos Cid Gomes no estado e Luizianne Lins na prefeitura, é utilizar de todos os artifícios para mutilar e rebaixar ainda mais a já limitada "Lei do Piso". O alvo, evidentemente são seus pontos importantes como o índice de reajuste do piso, fixado no Parágrafo Único do Art. 5º como sendo o percentual de crescimento do valor anual mínimo por aluno (custo aluno), contando para isso com a criminosa participação do governo Dilma/Lula através do MEC que indicou um valor do piso totalmente fraudulento, míseros R$ 1.187 para o nível médio, indexando o reajuste de acordo com índice da inflação oficial (IPCA). O mesmo ocorre com o Art.2º no Parag. 4º onde fica determinado o limite máximo de 2/3 da carga horária para de interação com os alunos (sala de aula), ficando por consequência o restante (1/3) destinado para estudo e planejamento, a chamada Hora Atividade, que está sendo insistentemente negada e/ou protelada para um futuro ad infinitum.

Esse é o cenário vivido tanto pelos professores do município de Fortaleza em greve há mais de quarenta dias, numa luta heróica contra a intransigência da prefeita petista Luizianne Lins que se recusa a implantar a Lei do Piso, quanto pelos os trabalhadores em educação da rede estadual que sofrem o mesmo tratamento do governo da oligarquia "socialista" dos Ferreira Gomes.

Os companheiros do município em greve, que no final do mês passado conseguiram barrar a votação da mensagem da prefeita que rasga lei do piso e ataca as conquistas da categoria, foram brutalmente reprimidos na terça feira (07/06) em frente à Câmara dos Vereadores pela guarda municipal, utilizando spray de pimenta, bombas de efeito foral, botinadas e cassetetes, a mando do presidente da Câmara, Acrísio Sena, ex-dirigente do PLP e da CUT assim como do odiado diretor da famigerada Guarda, o petista Arimá Rocha, ex-representante da Anistia Internacional em Fortaleza. Depois desta repressão covarde e extremamente violenta a prefeitura petista aprovou no parlamento municipal, um antro de corruptos, um Projeto de Lei que empurra goela abaixo dos professores praticamente o mesmo piso pirata do MEC para o nível médio, uma esmola de R$ 1.400 para graduados, achatando ainda mais o interstício entre os níveis. Vale destacar que mesmo para atingir esses valores irrisórios foi lançada mão da surrada aberração, já imposta por Cid Gomes aos professores do estado, de incorporar a regência de classe aos vencimentos. Quanto à carga horária, reserva arbitrariamente e ilegalmente apenas 1/5 para a Hora Atividade neste ano letivo.

A militância da Oposição de Luta-TRS/LBI participou ativamente na assembleia dos professores da rede estadual, denunciando durante a intervenção do companheiro Antônio Sombra no plenário, o papel criminoso da direção da APEOC de sabotar a luta da categoria, utilizando da velha justificativa de esgotar as negociações, na verdade uma desculpa esfarrapada para esconder o acordo que tem com o governo Cid Gomes de impedir a qualquer custo a deflagração de uma greve dos trabalhadores em educação no estado.

Diante da pressão da base que exigia o indicativo de greve para a próxima assembleia que deveria ocorrer no próximo dia 13/06 como defendeu o camarada da Oposição de Luta em sua intervenção, assim como outros companheiros de oposição, a direção da APEOC se utilizou de várias manobras para esvaziar o plenário e, através de presidente, Anízio Melo, passou por cima da democracia operária e sem qualquer votação marcou somente para o dia 17/06 a data da próxima assembleia.

Por tudo isso é necessário mais do que nunca a organização da vanguarda classista e da base combativa da categoria para superar e passar por cima da direção traidora da APEOC, através da realização de zonais e de um fórum que possa unificá-los como um embrião de direção, capaz de arrancarmos a fórceps a greve dos professores da rede estadual, unificando com os companheiros do município e, assim, fortalecer a luta pela implantação do piso.

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