A combinação das dificuldades econômicas - alta do dólar, racionamento de energia, crise da Argentina e desaceleração dos Estados Unidos - ainda não afetou o mercado dos produtos básicos, aqueles situados na faixa de preço mais baixo de suas categorias. Chamados por alguns de "populares", as vendas desses produtos ainda não sofreram impacto e continuam crescendo nos últimos meses. Em agosto, os carros com motor 1.0, os mais baratos, ficaram com 79,3% do mercado brasileiro de veículos. Trata-se de um novo recorde no setor, superando os 77,7% registrados em julho. Nunca se vendeu tanto carro popular no Brasil, num momento em que o mercado está em queda. Em agosto, as vendas de veículos no atacado (das montadoras para as concessionárias) caíram 5,42% em relação ao mesmo período do ano passado. - A venda do carro popular está aumentando porque o cliente está sem dinheiro. Se não estivéssemos nessa crise, estaríamos vendendo mais carros de outros modelos - diz Munir Faraj, gerente comercial da Trans-Am, concessionária General Motors em São Paulo onde cerca de 70% dos veículos comercializados são modelos com motor 1.0. No segmento de duas rodas, o fenômeno se repete. Em julho, as vendas da Honda, que domina o mercado brasileiro de motocicletas, caíram de 52.800 para 50 mil unidades. As vendas do modelo C 100 Biz, o mais barato da empresa, chegaram a 11.562 unidades, um crescimento de 53,7% sobre o mês anterior. No segmento, a procura por motocicletas continua crescendo. De janeiro a julho deste ano, foram comercializadas 413,1 mil unidades, 26,5% a mais que no mesmo período de 2000. - Estas crises de curto prazo não atingem o mercado de motocicletas, principalmente os modelos mais baratos e de menor cilindrada - afirma o diretor executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Franklin de Mello Neto. Outro mercado que parece imune às crises é o de telefones celulares pré-pagos. A Telesp Celular encerrou o segundo trimeste deste ano com 3.231 aparelhos pré-pagos, um crescimento de 10,7% sobre os números do primeiro trimestre. No mesmo período, o número de celulares pós-pagos caiu 5%, de 1.585 para 1.505 aparelhos. Em todo o país, os celulares pré-pagos já somam 16,8 milhões de unidades, quase o dobro do número de pós-pagos (9,2 milhões). - A crise ainda não chegou ao mercado do pré-pago. As vendas continuam crescendo porque esse é um produto que dá ao usuário a chance de programar os seus gastos - diz o diretor executivo da Associação Brasileira das Empresas de Telefonia Celular (Acel), Antônio Jorge Martins. Para o consultor José Roberto Martins, da JR Brands, essa migração do consumo para os produtos básicos é normal em tempos de crise. Segundo ele, com a possibilidade de recessão, o consumidor fica mais conservador e busca produtos mais baratos. Mas sempre observando a relação custo-benefício. - As pessoas não compram só porque é barato. Eles também olham a qualidade, mas sem esquecer do orçamento - ressalta Martins.
Produtos populares continuam crescendo apesar da crise
A crise generalizada pela economia do país não afetou, até agora, produtos como os carros de motor 1.0 ou as motocicletas de até 125 cilindradas. Os telefones celulares também continuam com as vendas estáveis
Terça, 11 de Setembro de 2001 às 05:56, por: CdB