Rio de Janeiro, 02 de Maio de 2026

Produtos <i>made in China</i> sob suspeita

Quinta, 31 de Maio de 2007 às 08:17, por: CdB

O governo chinês culpou na quinta-feira a mídia por dar espaço à preocupação com a segurança de alimentos e remédios no país, apesar de as autoridades admitirem ser impossível esperar por 100% de qualidade nos produtos.

Uma série de problemas com os produtos chineses -- como xarope envenenado exportado ao Panamá e ração para animais domésticos vendida aos EUA -- está abalando a confiança global no rótulo made in China.

"Recentemente, parte da mídia, na verdade pouca, relata de forma imoral a chamada falta de segurança nos produtos alimentícios chineses", disse Li Yuanping, vice- diretor da divisão de segurança dos alimentos importados e exportados na Administração Geral da Supervisão de Qualidade, Inspeção e Quarentena.

Em entrevista coletiva, ele garantiu que mais de 99% dos produtos alimentícios chineses exportados para os EUA nos últimos três anos atendem aos padrões de qualidade, cifra um pouco superior à das exportações de alimentos dos EUA para a China nos últimos dois anos.

"Olhando essas estatísticas, pode-se ver que as reportagens foram exageradas", disse Li. "Os problemas de uma empresa não constituem um problema da China. Se algum alimento é de baixo padrão, não se pode dizer que toda comida chinesa seja insegura."

O Panamá diz que pelo menos 100 pessoas morreram após usar um xarope contra tosse que continha dietileno glicol, um solvente industrial usado em pinturas e como anticongelante. O certo seria que a fórmula contivesse glicerina.

Wei Chuanzhong, subchefe da Administração de Supervisão de Qualidade, disse que duas empresas chinesas etiquetaram equivocadamente o produto químico como sendo um ingrediente medicinal. Segundo Wei, porém, a responsabilidade direta é dos distribuidores panamenhos.

De acordo com ele, uma empresa chinesa vendeu 11,3 toneladas de glicerina "TD" para a Espanha em 2003, e o lote foi então revendido ao Panamá. Na verdade, acrescentou ele, esse produto continha 15% de dietileno glicol, mas no Panamá foi apresentado pelos vendedores como "glicerina pura" e teve a data de validade alterada para durar três anos a mais.

"Na época em que o laboratório do Panamá usou o produto químico, ele estava vencido havia dois anos", disse o funcionário, citando os resultados do inquérito oficial.

Nicarágua, Costa Rica, República Dominicana e Panamá retiraram das prateleiras nas últimas semanas um creme dental chinês que, segundo análises, também tinha altos níveis de dietileno glicol.

Os EUA anunciaram na semana passada que estão verificando todos os carregamentos de creme dental da China, por precaução.

Wei admitiu que os lotes na América Central tinham o produto químico, mas disse que a quantidade era mínima, sem ter contaminado ninguém até agora. "Esperamos que o Panamá e outros países tomem uma atitude científica e pragmática, tratem os produtos chineses adequadamente e lidem apropriadamente com este incidente", acrescentou.

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