Produtores Rurais, de diversos lugares do país, através do SOS Produção Rural, estão fazendo um protesto nesta terça-feira. O motivo é alertar a sociedade sobre crise que assola o setor agropecuário, segundo informação da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).
A estratégia, elaborada pelas Federações de Agricultura dos Estados mais atingidos por problemas como a incidência da ferrugem asiática, seca ou excesso de chuvas, é realizar protestos regionalizados, com manifestações nas principais rodovias federais ou estaduais, com distribuição de panfletos e realização de alertas para sensibilizar a população sobre o problema.
No Rio Grande do Sul, cerca de 600 veículos entre tratores, caminhões e ônibus deixaram o município de Esteio, nesta manhã, em direção a Porto Alegre, para chamar a atenção para o que chamam de "descaso do governo" com o agronegócio. Eles também protestam em relação à entrada de produtos importados. Na capital gaúcha, cavaleiros se unirão aos manifestantes.
Entidades gaúchas do setor irão se pronunciar em um palco montado em frente aos prédios do Ministério da Fazenda e da Agricultura, na avenida Loureiro da Silva, no centro da Capital.
O arcebispo de Porto Alegre, d. Dadeu Grings também se unirá ao "tratoraço", como é conhecida a manifestação.
No Mato Grosso do Sul, onde a adesão ao movimento nacional é massiva, os fazendeiros também colocaram tratores e colheitadeiras nas ruas de diversas cidades para distribuir panfletos desancando a política econômica do governo federal. Também está previsto o fechamento do trânsito em algumas cidades.
As entidades patronais que reúnem os ruralistas estimam uma perda que varia de R$ 2,5 a 3 bilhões, na contabilidade do agronegócio estadual. O argumento para a insatisfação dos produtores, desta vez, é um combinado formado pelas perdas provocadas pela estiagem, com a queda livre nas cotações do dólar (que determina preços de commodities como a soja) e com a alta nos preços de alguns insumos.
A Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul, que articula o movimento, está confiante que a bilionária ajuda federal saia.
- Esse valor é só para pagar as contas e continuarmos plantando, o recurso não ficaria no bolso dos agricultores, seria para a cadeia - diz o presidente da entidade, Léo Brito.
Ele afirma que esse montante que deveria ser liberado para os produtores negociarem suas dívidas, "não tem relevância diante do lucro que o setor dá ao país".
Em Goiás, a mobilização não está sendo realizada na capital, mas nas regiões interioranas. Políticos e representantes da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás sobrevoam na o Estado para acompanhar a movimentação.