Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Produtores de soja bancam escola de samba para Carnaval 2005

Domingo, 18 de Julho de 2004 às 04:03, por: CdB

Os principais produtores de soja do Brasil vão usar o Carnaval do Rio de Janeiro para divulgar seu produto aos mais de 60 países que estarão ligados na festa de Momo no ano que vem.

A idéia é mostrar a capacidade do Brasil na área e a qualidade do produto, depois que sua imagem foi afetada este ano por um conflito com a China.

A norte-americana Monsanto e o grupo Maggi, este último do governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, serão os principais patrocinadores do enredo, que será desenvolvido pela Tradição e deverá custar em torno de 3 milhões de reais, segundo o presidente da escola, Nésio Nascimento.

"O Carnaval se tornou uma divulgação estupenda para o mundo. Mais de 250 milhões de pessoas assistem ao vivo (pela TV), e o Maggi se contagiou com o sucesso que foi o álcool", disse Nascimento à Reuters. O combustível foi tema do Salgueiro neste ano, dentro da estratégia dos usineiros de transformar o produto em uma commodity internacional.

No caso da soja, a idéia é mostrar o produto desde a sua descoberta na China e sua vinda para o Sul do Brasil, com os imigrantes, até a posterior expansão do plantio para o Centro-Oeste e o caminho de volta para a China, agora em forma de exportação.

A soja foi em 2003 o principal produto da pauta de exportação do Brasil, que é o segundo maior produtor e exportador do grão -- atrás apenas dos EUA. A expectativa do setor para este ano é exportar 9,8 bilhões de dólares.

"A (imagem da) soja brasileira sofreu um pouco este ano, com o desgaste da China", afirmou uma fonte do setor exportador, referindo-se ao embargo imposto pelos chineses a partir de maio aos grãos brasileiros após o registro de sementes tratadas com fungicida em carregamentos do Brasil.

O impasse com a China, o maior importador mundial de soja, deixou virtualmente paralisado o comércio bilateral. Para exportadores brasileiros, o embargo foi motivado por questões comerciais.

Nem a Monsanto nem o grupo Maggi confirmaram a informação de que vão patrocinar a escola de samba.

Nascimento afirmou que o samba-enredo vai fazer menção também à soja geneticamente modificada. Segundo ele, o produto "já é uma realidade hoje" e, por isso, "não pode ficar de fora."

A soja transgênica teve seu plantio liberado no Brasil pela primeira vez, com restrições, no ano passado.

Filho de Natal, fundador da Portela, Nascimento está confiante na força do empresariado para subir algumas posições no ranking da Liga das Escolas de Samba (Liesa). Nos últimos anos, o melhor resultado da Tradição no Carnaval carioca foi o oitavo lugar em 2001.

Em 2004, mesmo com a reedição de um samba da Portela, Contos de Areia, a escola ficou em 12o lugar entre as 14 do Grupo Especial.

"Neste ano vamos investir mais 50 por cento do que no ano passado (2 milhões de reais) e queremos nos firmar como uma escola média", explicou, lembrando que a escola de apenas 20 anos concorre com as tradicionais e quase centenárias Mangueira e Portela.

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