Os principais produtores de soja do Brasil vão usar o Carnaval do Rio de Janeiro para divulgar seu produto aos mais de 60 países que estarão ligados na festa de Momo no ano que vem.
A idéia é mostrar a capacidade do Brasil na área e a qualidade do produto, depois que sua imagem foi afetada este ano por um conflito com a China.
A norte-americana Monsanto e o grupo Maggi, este último do governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, serão os principais patrocinadores do enredo, que será desenvolvido pela Tradição e deverá custar em torno de 3 milhões de reais, segundo o presidente da escola, Nésio Nascimento.
- O Carnaval se tornou uma divulgação estupenda para o mundo. Mais de 250 milhões de pessoas assistem ao vivo (pela TV), e o Maggi se contagiou com o sucesso que foi o álcool -disse Nascimento à Reuters. O combustível foi tema do Salgueiro neste ano, dentro da estratégia dos usineiros de transformar o produto em uma commodity internacional.
No caso da soja, a idéia é mostrar o produto desde a sua descoberta na China e sua vinda para o Sul do Brasil, com os imigrantes, até a posterior expansão do plantio para o Centro-Oeste e o caminho de volta para a China, agora em forma de exportação.
A soja foi em 2003 o principal produto da pauta de exportação do Brasil, que é o segundo maior produtor e exportador do grão, atrás apenas dos EUA. A expectativa do setor para este ano é exportar 9,8 bilhões de dólares.
- A (imagem da) soja brasileira sofreu um pouco este ano, com o desgaste da China - afirmou uma fonte do setor exportador, referindo-se ao embargo imposto pelos chineses a partir de maio aos grãos brasileiros após o registro de sementes tratadas com fungicida em carregamentos do Brasil.
O impasse com a China, o maior importador mundial de soja, deixou virtualmente paralisado o comércio bilateral. Para exportadores brasileiros, o embargo foi motivado por questões comerciais.
Nem a Monsanto nem o grupo Maggi confirmaram a informação de que vão patrocinar a escola de samba.
Nascimento afirmou que o samba-enredo vai fazer menção também à soja geneticamente modificada. Segundo ele, o produto já é uma realidade hoje e, por isso, não pode ficar de fora.
A soja transgênica teve seu plantio liberado no Brasil pela primeira vez, com restrições, no ano passado.