A produção industrial brasileira cresceu 1,3% no mês de agosto, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal, divulgada na quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação ao mesmo período do ano passado, o crescimento foi de 6,6% em agosto, o 14º resultado positivo nessa comparação.
Em agosto, os setores que mais ampliaram a produção foram os de alimentos (3,7%), veículos automotores (3,3%), máquinas e equipamentos (3,7%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (6,7%). A seqüência no crescimento da produção ocorreu depois da queda de 0,4% em julho, ainda segundo o IBGE.
Mais uma vez, os bens de capital influenciaram o desempenho geral da indústria. A produção desses itens avançou 4% frente a julho e 21% ante o mesmo período de 2006.
- O crescimento de bens de capital é difuso e é uma expansão que demonstra uma maior qualidade. Quanto mais espalhado, mais são os efeitos em cadeia sobre a economia e isso é uma demonstração também de maior confiança dos investidores - afirmou Silvio Sales, economista do IBGE.
Segundo Thais Marzola Zara, economista da Rosenberg & Associados, afirmou a jornalistas brasileiros, ela vê "um quadro muito positivo para a indústria" levando em conta os dados do IBGE e os divulgados na véspera pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O aquecimento da produção industrial, que acumula no ano ganho de 5,3% e nos últimos 12 meses avanço de 4,5%, pesa sobre as perspectivas para o juro no país.
Inflação à vista
Para o economista do HSBC Bank Brasil, Luiz Cesário, "do conjunto de informações que o Banco Central normalmente analisa para definir os rumos da política monetária, o que traz mais desconforto é o crescimento da atividade que continua muito forte". Para ele, os dados do IBGE reforçam os argumentos de que pode ocorrer um descompasso entre demanda e oferta de bens.
- E o uso da capacidade instalada, observado a partir dos indicadores da CNI, mostram que os níveis atuais têm similaridade com períodos em que a economia sofreu pressões inflacionárias, o que só tende a reforçar a cautelosa posição do BC com a taxa de juros - afirmou a jornalistas.
Nesta quarta-feira, a CNI informou que o uso da capacidade instalada da indústria está estacionado em torno de 82%. Os cálculos do IBGE mostram que o aquecimento da atividade não tende a arrefecer. Se o setor mantiver ao longo dos próximos meses o ritmo verificado de janeiro a agosto, a expansão no ano será de 4,6 por cento.
Se o desempenho de agosto se repetir até dezembro, a expansão será ainda mais forte, de 5,6%.
- O resultado de agosto mostra que o ciclo de crescimento da indústria não se esgotou - conclui o economista do IBGE.