Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Produção industrial cai em todo o país

A produção industrial brasileira retraiu-se em outubro pelo segundo mês consecutivo. O movimento, segundo economistas, caracteriza uma fase de acomodação após o forte desempenho anterior, mas não chega a preocupar e nem deve evitar um novo aperto monetário. A produção caiu 0,4% em outubro frente ao mês anterior. O dado de setembro foi revisto de estabilidade para recuo de 0,2% sobre agosto. (Leia Mais)

Quinta, 09 de Dezembro de 2004 às 11:38, por: CdB

A produção industrial brasileira retraiu-se em outubro pelo segundo mês consecutivo. O movimento, segundo economistas, caracteriza uma fase de acomodação após o forte desempenho anterior, mas não chega a preocupar e nem deve evitar um novo aperto monetário. A produção caiu 0,4% em outubro frente ao mês anterior. O dado de setembro foi revisto de estabilidade para recuo de 0,2% sobre agosto.

Em relação a outubro de 2003, a produção avançou 2,7%. Foi o 14o mês de avanço na comparação anual, mas a taxa ficou abaixo dos 7,4% apurados em setembro, segundo dados revisados. Analistas previam, em média, queda mês a mês de 0,48% e alta sobre o ano passado de 3,8%.

- A atividade industrial já estava desde setembro entrando em um ritmo mais moderado de crescimento. Depois de um crescimento vigoroso de fevereiro para frente, era natural que entrasse em um período de acomodação - afirmou Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos.

Segundo o IBGE, a mudança do dado de setembro ocorreu após uma revisão habitual da série com ajuste sazonal, feita mensalmente. Catorze dos 23 setores pesquisados tiveram retração da produção ante setembro --com destaque para Alimentos, de 3%, Borracha e plástico, de 6,4%, Veículos automotores, 1,7%, e Perfumaria, de 6,3%.

Entre os que cresceram, o grupo Refino de petróleo e produção de álcool teve alta de 2,8%. Nas categorias de uso, a queda foi "generalizada", segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A produção de bens de capital caiu pelo segundo mês seguido, em 1,3% ante setembro, enquanto a de bens de consumo duráveis retraiu-se 2,3%. A de bens intermediários declinou 0,1% e a de bens semiduráveis e não duráveis recuou 1,1 %, depois de ter no mês anterior a maior alta do ano.

Desaceleração

Em relação a outubro do ano passado, a produção de bens de capital subiu 0,4%, a pior performance desde setembro do ano passado. A de bens de consumo duráveis cresceu 9,0%, a menor taxa desde março de 2004. A de bens de consumo semiduráveis e não duráveis caiu 0,3%.

- Além da influência da elevada base de comparação --uma vez que nos meses finais de 2003 a produção acentuava a sua alta - observou-se que outubro último teve menos dias trabalhados do que outubro de 2003 - informou o IBGE.

Para Juan Jensen, economista-chefe da consultoria Tendências, os fracos dados da indústria somados ao de aumento de investimento visto nos números do PIB do terceiro trimestre significam que a preocupação do Banco Central com a diferença entre oferta e demanda deve diminuir à frente.
Mas isso ainda não ocorrerá em dezembro, quando os economistas esperam nova alta do juro básico, a maioria de 0,50 ponto percentual, devido à inflação.
Jensen disse ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre deve mostrar um "resultado fraco" na comparação com o terceiro trimestre, devido à desaceleração da indústria.

No ano, a produção tem alta de 8,3% sobre igual período de 2003. Em 12 meses, a expansão é de 7,4%.

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