Rio de Janeiro, 03 de Maio de 2026

Produção industrial apresenta acomodação no trimestre

Segunda, 24 de Outubro de 2005 às 12:34, por: CdB

A indústria apresentou sinais claros de acomodação no terceiro trimestre do ano, de acordo com informe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta segunda-feira. No período, apenas a produção de bens de consumo não-duráveis cresceu, sustentada pelo aumento das exportações de gasolina e produtos farmacêuticos. Segundo o boletim Notas Econômicas da entidade, a expansão de 1,1% da produção industrial em agosto em relação ao mês anterior, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi apenas um contraponto à queda de 1,9% observada em julho.

Na média de julho e agosto, o que se observa é estabilidade da produção na comparação com o segundo trimestre. E como o mês de setembro não deverá alterar de forma significativa o cenário, o economista Paulo Mol, da CNI, acredita que a tendência é de estabilidade no terceiro trimestre.

- Para o quatro trimestre, podemos até esperar crescimento da atividade. Mas, no terceiro trimestre, não haverá crescimento - afirmou.

Para o economista, o desaquecimento da produção do setor industrial foi generalizado. A produção de bens de capital teve nítida desaceleração, o que pode sinalizar redução dos investimentos. O desempenho da produção de bens de consumo duráveis também foi desfavorável e pode estar relacionado com a redução no ritmo de concessões de crédito à pessoa física. Apenas os bens de consumo não-duráveis tiveram bom desempenho em julho e agosto.

- Mas esse desempenho não reflete efeitos do aumento da renda do trabalhador - destacou Mol. Isso, segundo ele, porque os segmentos mais relacionados ao salário tiveram queda de produção, como alimentos, bebidas, produtos de limpeza, vestuário e calçados.

O destaque da categoria de bens não-duráveis ficou por conta da produção de carburantes (álcool e gasolina), que cresceram 3,6% na média de julho e agosto em relação ao segundo trimestre, e de produtos farmacêuticos, com alta de 7,5% na mesma comparação.

- Mas essas expansões não foram causadas pelo aumento da demanda interna - destacou. O economista explicou que o crescimento da produção de carburantes e de artigos farmacêuticos deve-se à expansão das exportações.

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