Nos 30 assentamentos do MST em Mato Grosso a produção é apenas para subsistência. Sem infra-estrutura as famílias não conseguem produzir o excedente para ser comercializado.
Para Altamiro Stochero, da coordenação estadual do movimento, o recurso liberado pelo Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) não é suficiente para atender a demanda do assentado.
- O Pronaf libera R$ 15 mil por família. Desse total 1.500,00 vai para assistência técnica, sobra R$ 13.500,00 para o assentado fazer abertura de roça, cerca, comprar semente, construir represa, curral, enfim, quando chega a hora dele armazenar e comercializar falta recurso. O assentado pega o lote limpo, sem nada. Ele tem que fazer tudo. Muitos chegam a passar fome - afirma.
O dinheiro do Pronaf nada mais é que um empréstimo feito pelo governo federal. Cada assentado tem 10 anos, sendo três de carência, para quitar a dívida.
Sem ter o que comercializar a maioria não consegue pagar, tornando-se inadimplente. "Quem tem gado ou consegue trabalhar fora faz um esforço para pagar. Os demais, infelizmente, ficam em débito", admite Stochero.
Em muitos assentamentos a pecuária de leite poderia gerar renda, mas esbarra na falta de transporte. "Muitos assentados poderiam comercializar o leite, mas não têm como transportá-lo. Falta veículo e estrada", explica o coordenador.
Ele chama a atenção para o fato dos recursos do Pronaf não serem de acordo com os projetos. "O trabalhador prepara o solo, mas na hora de plantar não tem a semente", diz.
Apesar dos problemas dos assentamentos, Stochero nega que eles sejam minifúndios.
- Essas famílias plantam para a subsistência. Ou seja, não estão na cidade passando fome. Nosso objetivo não é produzir para exportar. Nós queremos sim produzir comida para o Brasil. Não queremos plantar soja, mas sim arroz, feijão, trigo, milho. O que adianta Mato Grosso ser campeão em exportação de algodão se aqui no Estado tem gente passando fome? - questiona o representante do movimento.