Uma discussão sobre a videodança e as diversas variáveis sobre as características e conceitos para esta variação do fazer cultural será o foco de palestra na Escola de Educação Física e Desportos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, nesta terça-feira. A promoção do debate é do programa Rumos Itaú Cultural Dança 2006-2007 e está em sua terceira edição. Nesta seqüência, passa a discutir a produção em dança contemporânea para o palco e para o vídeo. O encontro tem início às 18h.
Além de uma palestra sobre composição coreográfica, a gerente de Artes Cênicas do instituto Sonia Sobral coordena uma discussão com foco na videodança, buscando características e conceitos para esta variação da produção. Sonia, que é consultora em dança e integrante do grupo gestor da Red Sudamericana de Danza, apresenta trechos de obras referenciais como a da pioneira Loie Fuller (França, 1890) e da brasileira Analivia Cordeiro, além de Philippe Decouflé e Merce Cunningham.
A dança de Analivia
A bailarina, videoartista e arquiteta Analivia Cordeiro, foco dos debates na UFRJ, traz em todos os seus trabalhos "muita teoria e reflexão", como afirmou.
- A riqueza da vida se manifesta pela diversidade infinita das texturas. O contato infindável com as texturas da vida é a apreensão do significado da vida - disse Analivia a jornalistas.
Filha do artista plástico e crítico de arte Waldemar Cordeiro, que teve influência determinante no seu trabalho, Analivia aprendeu a dançar aos sete anos com a coreógrafa húngara radicada no Brasil Maria Duschenes. A professora foi uma das introdutoras da dança moderna no Brasil, e quem difundiu os ensinamentos de Rudolf Laban - grande teórico do movimento -, ensinando Analivia e seus alunos que qualquer gesto ou forma de movimento poderia fazer parte da linguagem da dança.
A bailarina foi pioneira no uso da linguagem que mistura vídeo e dança no Brasil: a videodança. Mas não largou os estudos. Foi aperfeiçoar seus primeiros experimentos no estúdio de Merce Cunningham, em Nova York, em 76. Ficou dois anos e meio na escola do americano fazendo workshopps de videodança com ele e com o videomaker Charles Atlas, criadores da nova linguagem no final da década de 60.
Mestre em multimeios pela Unicamp e Doutora em Semiótica pela PUC-SP, Analivia cursou, quando jovem, arquitetura na Universidade de São Paulo, pela pressão do seu pai que queria que ela cursasse alguma faculdade. Mas, por ironia do destino, a bailarina vive hoje, além das aulas de dança que dá para crianças, dos projetos arquitetônicos que cria.
Analivia lançou, ano passado, a videodança Carne, que fala do corpo, questionando o modo de vida moderno na era digital e buscando se aproximar da natureza humana:
- Eu me sinto com possibilidade de produzir muitos e muitos anos ainda, porque vejo que o que faço tem realmente um significado - afirmou.
Experiência
Nesta edição, a itinerância do Rumos Dança passou por 16 capitais brasileiras. Os primeiros mapeamentos do Itaú Cultural na área de Dança aconteceram respectivamente nos anos de 2000 e 2003. Das 812 inscrições recebidas nas edições anteriores, o programa Rumos Dança premiou 71 projetos, de artistas de 13 Estados brasileiros, entre os quais o Rio de Janeiro. Entre os 26 cariocas premiados, estão Marcelo Pinheiro e Matheus Nachtergaele, e Pedro Seiblitz e Frederico Paredes.
A proposta do