Ex-governador do Rio, Anthony Garotinho figura como "chefe da quadrilha" que controlava o setor de Segurança Pública do Estado, no processo que levou à cadeia, nesta quinta-feira, o deputado estadual Álvaro Lins (PMDB-RJ). Segundo os procuradores da República, responsáveis pelas apurações, o político é apontado como o "governador de fato" do Estado entre 2003 e 2006, durante o mandato de sua mulher, Rosinha Matheus, "ao menos no tocante à área de segurança pública".
"Das investigações, infere-se que Garotinho, mesmo quando não exercia qualquer cargo público, tinha decisiva influência nas decisões do governo de sua esposa, em especial na escolha das titularidades das delegacias", afirmam os procuradores no processo. "A atuação da organização criminosa consolidou-se com a nomeação do ex-governador Garotinho, em abril de 2003, para o cargo de secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro", aponta o documento.
Na gravação realizada com autorização judicial, em 10 de novembro de 2006, Garotinho cobra de Álvaro Lins a indicação de um delegado, embora nenhum deles ocupasse cargos no governo naquele momento. Em gravação anterior, na véspera, Álvaro Lins conversava com o sogro, Francis Bullos, que havia acabado de se reunir com Garotinho. O sogro de Lins, mais adiante, diz que Garotinho o colocou para falar ao telefone com a então governadora Rosinha Matheus, segundo reportagem publicada na edição desta sexta-feira do diário paulista O Estado de S. Paulo.
Ironia
Nesta quinta-feira, Garotinho ironizou, em entrevista à Rádio Diário FM, a operação que levou a Polícia Federal a cumprir os mandados de busca e apreensão em sua casa.
- Não sei nem do que se trata (a operação da PF), mas seja o que for é muito bem-vinda a Polícia Federal na minha casa - disse Garotinho. Sete agentes e um delegado da PF entraram na casa do ex-governador após autorização da Justiça com base em denúncia do Ministério Público, segundo a qual Garotinho é acusado de crime de formação de quadrilha armada.
Em seu blog, Garotinho se defende, dizendo ter a consciência tranqüila e nada a temer. O político diz aos leitores que não foi comunicado oficialmente de nada:
"Permaneço na minha casa, ao lado da minha família, porque tenho minha consciência tranqüila e nada tenho a temer".
Garotinho diz também que somente irá se pronunciar no momento em que receber informações oficiais sobre os fatos e pede que os leitores "aguardem".