A procuradora aposentada Vera Lúcia de Sant'anna Gomes, acusada de torturar uma menina de 2 anos sob sua guarda provisória, entregou-se à Justiça no início da tarde desta, no Fórum do Rio, Centro da cidade. Até então considerada como foragida da Justiça, Vera foi conduzida à 32ª Vara Criminal, para prestar depoimento. O juiz responsável pelo caso deverá decidir, ainda nesta quinta-feira, sobre o destino da acusada. Advogado de Vera Lúcia, Jair Leite Pereira havia garantido na véspera que ela se apresentaria até sexta-feira.
Foragida desde o início da semana passada, quando foi decretada a sua prisão, Vera teve negada uma liminar, na segunda-feira, que pedia a revogação da sua prisão preventiva. Para a desembargadora Gizelda Leitão Teixeira, da Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, Vera Lúcia mostrou "verdadeiro desprezo pela lei". Ex-funcionárias da procuradora denunciaram o caso de agressão para a polícia. Segundo as testemunhas, a menina começou a apanhar no dia seguinte ao da adoção. No dia 14 de abril, o Conselho Tutelar foi ao apartamento e encontrou a criança com diversos hematomas.
Sofrimento
A procuradora estará obrigada a custear o tratamento psicológico e psiquiátrico para a vítima, em unidade da rede particular de Saúde, no valor de 10% de seus rendimentos, segundo o MP. A Justiça enviou ofício ao abrigo onde a criança se encontra para que seja providenciado o profissional que fará o tratamento no prazo de dez dias. No processo, os promotores sustentam que o tratamento psicológico a ser imediatamente iniciado contribuirá para atenuar, desde logo, o sofrimento da criança, proporcionando-lhe a oportunidade de se tornar uma pessoa livre dos traumas acarretados pelos atos praticados pela ré.