Procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza solicitou à Receita Federal uma auditoria sobre as finanças dos partidos políticos citados nas investigações do mensalão. A medida é polêmica e deverá ser questionada no Congresso, dizem analistas. Souza já contabiliza alguns pontos negativos com parlamentares que investigam o desvio de recursos nas campanhas eleitorais.
- Há um descompasso entre a circulação de dinheiro no caixa (de alguns partidos) e o apresentado na contabilidade - disse Souzae a jornalistas nesta sexta-feira.
Souza participou da abertura do 3º Estratégia Nacional de Combate à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos (Encla), que se realiza em Vitória (ES).
O procurador não especificou quais serão as legendas que sofrerão a devassa do fisco e garantiu que o levantamento solicitado à Receita Federal não significa necessariamente que os partidos estão envolvidos em irregularidades.
- Só posso pedir uma ação fiscal se houver indícios (de irregularidades) - justificou.
O procurador negou o pedido de prisão do empresário Marcos Valério, acusado de ser o controlador do esquema de distribuição de propinas a parlamentares, conhecido como "mensalão". O pedido havia sido feito pelo relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, Osmar Serraglio, nesta quinta-feira. O argumento de Antonio de Souza foi o de que não havia indícios suficientes para se decretar a prisão de Valério. O caso gerou mal estar no Congresso.