Procurador da República, Mario Lúcio Avelar pediu à Justiça Federal do Mato Grosso, nesta terça-feira, que decrete a prisão temporária de Freud Godoy, ex-assessor especial da Presidência da República. Ele foi apontado como o responsável pela contratação de intermediários para a compra de um dossiê com denúncias de envolvimento de tucanos na máfia das sanguessugas. A Justiça ainda analisava o pedido do procurador no fim da manhã desta terça e Avelar não quis dar detalhes sobre o pedido de prisão. Ele informou, no entanto, que se baseia no envolvimento de Freud com os as pessoas ligadas à negociação do dossiê.
Freud foi apontado pelo advogado Gedimar Pereira Passos como o responsável pela compra de dossiê sobre o envolvimento de tucanos na máfia das ambulâncias. Na minuta com seis páginas, o procurador considerou importante que Freud seja detido temporariamente para ser interrogado sobre a compra de dossiê. Em sua sustentação, Avelar lembrou que, com o incentivo de Freud, Vedoin não cumpriu a delação premiada, como tinha sido pactuado
Negativa
Presidente do PT, Ricardo Berzoini negou manter qualquer ligação do partido com a negociação de documentos que envolveriam políticos tucanos, como o candidato tucano ao governo de São Paulo, José Serra, no esquema de compra superfaturada de ambulâncias com recursos do Orçamento Geral da União. Em entrevista, Berzoini afirmou que o partido e a campanha não realizam atividades de "compra de informações". Segundo ele, o partido desconhecia a ação do filiado do PT, Valdebran Padilha, e do ex-agente e funcionário da campanha de Lula, Gedimar Pereira Passos.
Ambos foram presos num hotel em São Paulo com quase R$ 2 milhões que seriam usados na compra de documentos organizados pelo empresário da Planam, Luiz Antonio Trevisan Vedoin, um dos chefes do esquema de fraudes das ambulâncias e que envolvem parlamentares, servidores públicos e prefeituras.
- Estamos averiguando para apresentar de maneira clara e transparente uma posição à sociedade. Hoje não temos informações para apresentar, com clareza, o envolvimento dessas pessoas nos episódios relatados pela imprensa e PF nesses dias - disse.
Berzoini também levantou a hipótese de "armação" no caso, porque, segundo ele, o partido não tem nenhuma "referência de qualquer pessoa que tenha responsabilidade financeira da campanha sobre a existência desses recursos".
Munição
O episódio já conhecido como Dossiê Serra, no entanto, deverá servir de munição para a aliança PSDB-PFL atacar a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na tentativa de forçar um segundo turno. Antes disso, porém, a tática é buscar esvaziar a denúncia de envolvimento dos candidatos ao governo de São Paulo, José Serra, e ao Palácio do Planalto, Geraldo Alckmin, com a máfia dos sanguessugas.
A estratégia da coordenação das campanhas dos dois tucanos é mostrar que as imagens apreendidas pela Polícia Federal com Paulo Roberto Trevisan, ligado ao escândalo de superfaturamento na venda de ambulâncias para prefeituras, seriam um "mico" --são públicas as fotos de Serra e Alckmin entregando os veículos ao lado de envolvidos no caso, argumentam políticos do PSDB.
- As fotos, pelo que nos foi informado, são de um Congresso de Prefeitos em Campos do Jordão (SP), são públicas e conhecidas - disse João Carlos Meirelles, coordenador do programa de governo de Alckmin.
Para a oposição, o montante de R$ 1,7 milhão, apreendido com o empresário Valdebran Padilha e o advogado Gedimar Passos, ambos ligados ao PT, na sexta-feira em hotel em São Paulo, seria utilizado exclusivamente para pagar a entrevista de Luiz e Darci Vedoin, donos da Planam, empresa-pivô do escândalo das ambulâncias, concedida à revista IstoÉ.
O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), declarou a jornalistas, no Rio de Janeiro, na segunda-feira, o que os defensores de Serra e A