O procurador da Audiência Nacional espanhola, Pedro Rubira, pediu ao governo de Madri hoje, quarta-feira, que não reivindique a extradição dos 46 militares argentinos processados pelo juiz Baltasar Garzón por terrorismo, genocídio e torturas.
Numa nota enviada a esse tribunal, referente às 26 pessoas cuja detenção já foi comunicada a Garzón pela Argentina, Rubira insiste na "falta de competência" da Espanha para julgar os fatos.
Para justificar a afirmação, o procurador cita uma recente sentença do Supremo Tribunal sobre o denominado "caso Guatemala", que determinou que só poderão ser investigados na Espanha os casos de torturas em que as vítimas forem espanholas.
Ele acrescenta que, na mesma sentença, o Supremo afirmou que "não se pode acompanhar esse processo na Espanha quando os fatos estão sendo julgados no país onde ocorreram".
Nesse sentido, o procurador afirma que, "no caso atual, existem dados de que a mudança política e judicial (na Argentina) está determinada a abrir procedimentos contra os militares argentinos" e a anular as "leis contra a impunidade".
— Em conseqüência, não se pode aceitar que, depois dos fatos vividos pela Argentina, seja necessária a intervenção da jurisdição espanhola em virtude do princípio de jurisdição universal — alega o representante do Ministério Público.
A postura de Rubira contrasta com a das diferentes acusações envolvidas nesse processo, que já formalizaram a Garzón um pedido para que se entregue à Espanha 26 detidos pelas autoridades argentinas.
As acusações também pedem que, mediante uma comissão rogatória, se solicite à Justiça argentina o confisco de bens dos processados, calculados em mais de 2,6 milhões de dólares, determinado pelo juiz Garzón.
Procurador espanhol não quer extradição de militares argentinos
Quarta, 06 de Agosto de 2003 às 09:41, por: CdB