Rio de Janeiro, 11 de Maio de 2026

Procurador diz ter recebido informações sobre fuga de Beira-Mar

O procurador-geral de Justiça do Estado do Rio, José Muiños Piñeiro Filho, disse hoje que, há 15 dias, recebeu uma denúncia sobre um plano para resgatar o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, do BPChoque (Batalhão de Choque) da Polícia Militar, no centro do Rio. Segundo ele, a polícia também sabe do fato.

Quarta, 02 de Outubro de 2002 às 20:32, por: CdB

O procurador-geral de Justiça do Estado do Rio, José Muiños Piñeiro Filho, disse hoje que, há 15 dias, recebeu uma denúncia sobre um plano para resgatar o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, do BPChoque (Batalhão de Choque) da Polícia Militar, no centro do Rio. Segundo ele, a polícia também sabe do fato. "Recebi um documento sobre o suposto plano e tive conhecimento de que as autoridades policiais foram alertadas", declarou. Piñeiro Filho afirmou que a informação sobre o resgate lhe foi passada dois dias depois de ele ter enviado ao secretário de Segurança Pública, Roberto Aguiar, a gravação em que o traficante Marco Antônio Tavares, o Marquinho Niterói, anunciou o plano de parar o comércio na região metropolitana. O subsecretário operacional da Secretaria de Segurança, Carlos Leba, disse que desconhece o suposto plano de resgate. O procurador disse suspeitar que o plano de Marquinho Niterói de aterrorizar a população tenha sido articulado no BPChoque e com ajuda de advogados que visitavam os presos. Ele afirmou não possuir gravações sobre o planejamento da ação ocorrida na segunda-feira. "Sobre o fato ocorrido na segunda-feira já divulgamos todas as conversas que possam estar relacionadas. É possível que os traficantes presos no Batalhão de Choque usem advogados como mensageiros para seus cúmplices", disse. Marquinho Niterói foi transferido de Bangu 1 para o BPChoque no dia 17, dois dias depois da gravação. No mesmo dia da transferência, a polícia apreendeu dois celulares no presídio, que teriam sido utilizados pelo traficante. Na primeira semana no BPChoque, os presos recebiam a visita de até três advogados por dia. Depois, por ordem da Secretaria de Segurança, apenas um advogado podia entrar na unidade. Na segunda-feira, as visitas foram proibidas. O advogado de Beira-Mar, Lydio da Hora, entrou com um mandado de segurança no Tribunal de Justiça do Rio para visitar o cliente, mas teve negado o pedido. Sobre a insinuação do procurador de que advogados poderiam estar sendo usados como "pombos-correio" dos traficantes, Hora disse desconhecer o fato. Críticas O procurador afirmou que os acontecimentos de segunda-feira foram provocados por falhas no Serviço de Inteligência da Secretaria de Segurança e que o governo precisa admitir isso. Ele negou que tenha divulgado o conteúdo das gravações ou que tenha agido politicamente. "Se alguém me acusou de uso político, está cometendo uma leviandade e vai responder por isso", disse. Apreensão A polícia encontrou 465 papelotes de cocaína, um celular e quatro estoques (facas artesanais) durante vistoria ocorrida hoje na Casa de Custódia Pedro Melo, em Bangu. A unidade abriga 500 presos da facção criminosa Terceiro Comando. A operação contou com a participação do Grupamento Especial de Policiamento do Complexo Penitenciário de Bangu, do Batalhão de Choque, do Grupamento Especial Tático-Móvel e da Companhia de Cães.

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