Rio de Janeiro, 12 de Fevereiro de 2026

Procurador da República denuncia Pudim, Garotinho e Álvaro Lins

O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, ofereceu denúncia ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra o deputado federal Geraldo Pudim (PMDB-RJ), o ex-governador Anthony Garotinho (PMDB) e deputado estadual Álvaro Lins (PMDB-RJ). (Leia Mais)

Sexta, 17 de Agosto de 2007 às 09:44, por: CdB

O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, ofereceu denúncia ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra o deputado federal Geraldo Pudim (PMDB-RJ), o ex-governador Anthony Garotinho (PMDB) e deputado estadual Álvaro Lins (PMDB-RJ). Eles são acusados de compra de votos de candidatos do concurso para investigador da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Segundo a denúncia, os acusados montaram um esquema ilícito de captação de votos destinado a favorecer os então candidatos Pudim e Lins nas eleições de outubro de 2006, por meio do oferecimento de vantagens ao grupo denominado Excedentes PCERJ (Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro).

De acordo com a denúncia do procurador-geral da República, também participaram do crime o  inspetor da Polícia Civil Mário de Carvalho, o delegado da Polícia Civil Daniel Goulart e o técnico de informática Kuene Robson Pereira Alves.

O grupo, de acordo com Souza, era composto por candidatos habilitados na primeira fase do concurso público realizado em 2006 para o cargo de investigador da Polícia Civil do Rio que não foram classificados dentro do número de vagas previsto no edital e, por isso, não seriam convocados para as fases seguintes do processo seletivo.

Em troca de votos, Pudim teria utilizado seu acesso à então governadora Rosinha Matheus e o ex-governador Garotinho para permitir a alteração de uma regra do edital que possibilitaria a convocação dos excedentes. "Geraldo Pudim, Álvaro Lins e Garotinho atuaram nas diversas esferas da administração estadual até que a alteração fosse publicada em 28 de setembro de 2006, às vésperas da eleição", afirmou o procurador-geral.

Segundo ele, coube a Goulart interceder junto às autoridades competentes para promover as mudanças. Ao final do processo, de acordo com a denúncia, os candidatos fizeram comício anunciando a alteração.

Lins e Marinho, administrador financeiro de sua campanha, também são acusados de fazer declaração falsa à Justiça Eleitoral, omitindo na prestação de contas ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio de Janeiro despesas em valor superior a R$ 200 mil. Já o técnico de informática teria retirado do site dos excedentes imagens que vinculassem os políticos ao grupo.

O procurador pediu o desmembramento da denúncia ao TRF (Tribunal Regional Federal) da 2ª Região, instância competente para julgar os crimes de Lins.

O deputado Álvaro Lins divulgou nota negando que tenha barganhado vagas para candidatos do concurso público de investigadores da polícia em troca de votos.

 "A verdade é que pedi por escrito e oficialmente, na condição de Chefe da Polícia em 2006, o aproveitamento de todos os candidatos aprovados no concurso, pois existiam mais de três mil vagas ociosas e cerca de 1.200 aprovados. Tudo isso muito antes de me lançar na campanha política", disse, no texto.

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