Procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza negou, nesta quarta-feira à noite, o pedido para a prisão preventiva do empresário Marcos Valério, acusado de ser o operador do esquema de distribuição de propinas conhecido como "mensalão".
- Eu não tenho elementos no inquérito para pedir a prisão. Na condução que estou tendo no inquérito não estou com essa previsão - afirmou o procurador-geral.
Antonio de Souza disse que, se vier a pedir a prisão de Valério, a decisão será baseada em fatos surgidos a partir de diligências feitas dentro do inquérito.
- A sugestão da CPI não importa. É irrelevante - afirmou.
Para o procurador-geral, em tom de crítica aos parlamentares da CPI, ele repreendeu a sugestão de prender o empresário, como se ele estivesse atrapalhando as investigações.
- Essa questão de 'tem que prender, tem que prender' cria um clima ruim para o andamento do inquérito. Mas dá notícia em jornal - afirmou.
Durante encontro com o delegado federal Luiz Flávio Zampronha, responsável pelo inquérito policial, os parlamentares pediram ainda que a PF aprofunde a investigação em relação a Valério.
- Tudo indica que ele precisa dar um paradeiro à essa modificação permanente da situação que investigamos - disse o deputado.
Os integrantes da CPI já haviam pedido, no início das apurações, para que a prisão preventiva fosse analisada, depois que documentos de duas empresas de Valério - DNA Publicidade e SMPB Comunicação - foram encontrados queimados. A PF concordou com o pedido, mas o Ministério Público não autorizou.