O procurador Giovanni Rattacaso, designado pela Procuradoria-Geral da Justiça Militar para acompanhar o desenrolar da crise na aviação, disse na quinta-feira que o sargento Wellington Rodrigues, presidente da Associação Brasileira de Controladores de Tráfego Aéreo, era o supervisor do centro de controle de Brasília (Cindacta-1) em 29 de setembro, quando aconteceu a colisão entre o jato Legacy e o Boeing da Gol.
Rattacaso está convencido de que a operação padrão desencadeada no Cindacta-1 no início do mês, às vésperas do feriado de Finados, foi articulada por Rodrigues para "desviar a atenção sobre a conduta dele no caso, atribuindo o acidente a um erro do sistema de controle aéreo".
O procurador disse que Rodrigues não estava na sala de controle no momento do acidente, mas não soube apontar os motivos que o levaram a se ausentar.
- Ele (Rodrigues) está implicado, sim, e há indícios de culpabilidade dele no caso -, disse.
Segundo Rattacaso, a informação de que cabia a Rodrigues supervisionar o trabalho dos operadores consta do relatório preliminar sobre a tragédia do vôo 1907, divulgado pela Aeronáutica na semana passada.
Rodrigues nega que estivesse no posto de supervisor. E diz que, em setembro, estava escalado como instrutor dos novatos.
- Vou processar o procurador - , disse o sargento.
A Aeronáutica abriu Inquérito Policial-Militar (IPM) para investigar se os controladores infringiram normas militares com a operação-padrão. Responsável pelo IPM, o procurador afirmou que há fortes indícios de que houve panfletagem da associação entre os controladores de vôo de Brasília, o que é proibido pelo regimento militar. Segundo ele, a investigação sobre o acidente está focada agora na atuação de três profissionais do Cindacta-1, incluindo Rodrigues.