O silêncio do Exército Republicano Irlandês (IRA) voltou a adiar a apresentação de um plano de resgate para o Ulster feito por Londres e Dublin, o que está enchendo de pessimismo o processo de paz na Irlanda do Norte. Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, confirmou nesta sexta-feira, que ele e seu colega irlandês, Bertie Ahern, não voltarão à província a menos que o IRA anuncie, sem ambigüidades, o fim da luta armada e a conclusão do processo de desarmamento. No entanto, estas mesmas fontes informaram que os dois líderes vão continuar conversando nos próximos dias com as partes evolvidas no processo de paz, "por isso ainda há esperança que ocorram avanços significativos". Nem a visita do presidente dos Estado Unidos, George Bush, ao Ulster esta semana nem as comemorações do quinto aniversário do acordo da Sexta-feira Santa, assinado em Belfast em 10 de abril de 1998, conseguiram desbloquear o parado processo de paz. Neste ambiente, os governos britânico e irlandês e Sinn Fein, braço político do IRA, não conseguiram chegar a um acordo sobre vários aspectos do plano de ação, em particular aqueles que se referem ao desarmamento do grupo terrorista republicano. Bush deu sua contribuição pedindo aos partidos norte-irlandeses para "darem uma oportunidade à paz", enquanto os dois líderes contavam com a obtenção no castelo de Hillsborough, nos arredores de Belfast, o "sim" dos líderes políticos ao "plano de ação". O enviado especial da Casa Branca para a Irlanda do Norte, Richard Haass, também incentivou nesta quinta-feira o presidente do Sinn Fein, Gerry Adams, a aceitar um "plano de resgate" que qualificou de "justo e equilibrado". Adams, que insistiu que não existe nenhuma autoridade sobre o IRA, pediu aos Executivos britânico e irlandês para que publiquem o documento "e esperem para ver como respondem ao texto todas as partes". A chamada "Declaração de Hillsborough" está desenvolvida para que os partidos cheguem a um acordo que permita restaurar as instituições autônomas do Ulster, suspensas em outubro do ano passado por Londres por causa de um suposto caso de espionagem do IRA em escritórios governamentais. No entanto, Blair e Ahern cancelaram nesta sexta-feira, pelo segundo dia consecutivo, a publicação do documento depois de confirmar que uma minuta redigida pelo IRA "não deixa claro" seu compromisso com o processo de paz, disseram fontes do Governo de Dublin. Segundo as estimativas dos serviços de inteligência britânico e irlandeses, o IRA ainda conta, pelo menos, com quinhentos fuzis de AK-47, várias metralhadoras pesadas tipo Degtyarev de fabricação russa, um grande número de pistolas e uma quantidade indeterminada de explosivos. Até o momento, o IRA entregou em duas ocasiões e a "portas fechadas" parte de seu arsenal na Comissão Internacional de Desarmamento, presidida pelo general canadense John de Chastelain, o qual não inspirou confiança entre os unionistas. Mas o plano britânico-irlandês não apenas inclui pedidos para os paramilitares nacionalistas e protestantes, mas outros assuntos, como a desmilitarização do Ulster e a reforma do sistema de justiça e da polícia norte-irlandesa, mantêm divididos os partidos. Além disso, algumas das questões mais difíceis estão anotadas em dois anexos que acompanham o controvertido "plano de ação". O primeiro anexo prevê a concessão de uma anistia aos fugitivos do IRA para que, uma vez que estejam de volta a província, possam, por exemplo, participar dos comitês comunitários do Novo Serviço de Polícia da Irlanda do Norte, uma proposta à qual grande parte do unionismo se opõe. O segundo anexo propõe um sistema de sanções encaminhado para penalizar os partidos que violarem os conteúdos do acordo da Sexta-feira Santa, uma medida que visa quase exclusivamente Sinn Fein, opositor radical dessa proposta. Como prova de que ainda existe esperança para o processo de paz, o general John de Chastelain continua em B
Processo de paz se enche de pessimismo com silêncio do IRA
Sexta, 11 de Abril de 2003 às 14:32, por: CdB