Embora o voto do relator do processo contra o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), no Conselho de Ética da Câmara, que estava previsto para a última quinta-feira, tenha ocorrido no final da tarde desta segunda-feira, ele não foi votado em plenário. O pedido de vistas ao processo, já anunciado pelo deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), adiará a votação para a próxima quinta-feira. O prazo final para a conclusão do processo será no próximo dia 6 de setembro, com a possibilidade de se arrastar por mais 60 dias até que o Plenário da Câmara, instância final do processo, pronuncie-se definitivamente sobre o pedido de cassação de Jefferson.
Embora o relator do processo, deputado Jairo Carneiro (PFL-BA), tenha iniciado a leitura do parecer ao Conselho de Ética, nem antecipoado se recomendará ou não a cassação do deputado petebista, colegas do parlamentar acreditam que seu voto será pelo afastamento de Jefferson da vida pública por cinco anos. Carneiro, no entanto, alegou em seu parecer, até o momento em que interrompeu a leitura, que nada há de concreto que confirme as denúncias de um suposto esquema de mensalão a parlamentares da base aliada, em troca de apoio político.
- Há muitos indícios, mas nada foi provado - disse.
Segundo o relator, Jefferson admitiu prática de crime eleitoral ao confessar o recebimento de R$ 4 milhões de caixa dois do PT e quebrou a ética parlamentar ao mentir ao Conselho sobre a realização de uma reunião com a bancada do PTB para tratar da proposta do mensalão. Jefferson foi desmentido pelo pelo líder do PTB na Câmara, deputado José Múcio Monteiro (PE), em seu depoimento ao Conselho.
Acusado
Roberto Jefferson já responde a três processos abertos contra ele pela presidência do PL, que o acusa de quebra de decoro parlamentar, com a conseqüente perda de mandato, em todos os processos. Ele é acusado de quebra de decoro por ter feito as denúncias sobre o mensalão sem apresentar provas, também por receber ilegalmente recursos de campanha. Por último, Jefferson é acusado por quebra de decoro devido à participação na ocultação de cargas roubadas pela Polícia Rodoviária Federal, no Estado do Rio de Janeiro.