Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Problemas internos limitam poder regional do Brasil

A falta de consenso em torno das vantagens da integração sul-americana e os enormes problemas internos representam algumas das principais barreiras para o Brasil assumir um papel mais preponderante na busca de união regional. (Leia Mais)

Sexta, 14 de Março de 2008 às 13:51, por: CdB

A falta de consenso em torno das vantagens da integração sul-americana e os enormes problemas internos representam algumas das principais barreiras para o Brasil assumir um papel mais preponderante na busca de união regional.

Especialistas, diplomatas e políticos divergem sobre a importância da integração para o país e sobre o grau de investimento que deve ser feito no processo. Um dos poucos pontos em comum é que a maioria acredita que os problemas internos do Brasil são um limite à capacidade brasileira de liderar e pagar os custos da integração.

— As pessoas não querem (pagar pela integração). A avaliação é: nós não resolvemos os problemas de desigualdades internas, porque vamos resolver os outros, dos vizinhos —, analisa o historiador Amado Luiz Cervo, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília e do Instituto Rio Branco e um dos maiores defensores da atual política externa brasileira.

Para analistas, um dos maiores desafios para a integração sul-americana é a grande diferença entre economias regionais e o fato de que muitos países menores acham que países maiores, como o Brasil, devem investir para diminuir essas diferenças, como foi feito na integração européia. Do ponto de vista brasileiro, porém, essa é uma proposta difícil de vender.

— Num país com tanta pobreza e desigualdade fica muito difícil dar dinheiro para outro país sem pagar um custo político altíssimo —, diz o cientista político Octavio Amorim Neto, professor da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas, no Rio.

Disparidades

A assimetria entre as economias sul-americanas é ampla. A economia brasileira (a maior da região) é mais de cem vezes maior do que a do Paraguai (a terceira menor, à frente de Guiana e Suriname). No ano passado, o Brasil exportou US$ 31 bilhões para os vizinhos regionais e importou US$ 18,5 bilhões.

Um dos motivos da disparidade é a grande sofisticação da economia brasileira diante de países menores, como Bolívia, Peru ou Equador.

O Brasil, junto com a Argentina, criou o Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem) para tentar diminuir as disparidades dentro do Mercosul. Também foi criado um programa de substituição de importações com o objetivo de comprar mais da região sempre que for possível.

No entanto, esses programas são pequenos (o Focem tem fundos de US$ 100 milhões) e o Brasil tem pouco fôlego ou, para alguns, ímpeto de fazer mais justamente por causa das diferentes visões dentro do país.

De forma simplificada pode-se dizer que existem dois pólos nessa discussão: um que defende uma integração profunda e outro que olha com mais cautela para o projeto. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Sílvia avalia que uma integração ampla é fundamental para o futuro do país.

Durante a recente crise entre Equador e Colômbia, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, deixou claro porque o governo defende o aprofundamento da união regional.

— Somos defensores de uma integração sul-americana dentro de um contexto mais amplo da integração da América Latina e do Caribe —, disse ele.

— Vivemos num mundo de blocos econômicos e políticos. E quanto menos unidos estivermos, mais facilmente seremos vítimas de negociações inadequadas. Estaremos mais longe de conseguirmos nossos objetivos de progresso e desenvolvimento —, disse.

Por essa lógica, mesmo que tenha que perder em algumas disputas ou pagar mais caro pela integração, o Brasil se beneficiará no longo prazo.

Oposição

Mas há quem não concorde com essa estratégia. O ex-embaixador brasileiro em Washington Rubens Barbosa, hoje consultor de empresas, rejeita o argumento de que o Brasil precisa ser “generoso” com os vizinhos mais pobres.

— Eu acho que a gente tem que colocar o interesse do Brasil na frente de tudo —, afirma.

Barbosa diz que boa parte das demandas dos países menor

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