Rio de Janeiro, 22 de Setembro de 2026

Problemas de infraestrutura em uma das cidades brasileiras mais ricas em <i>royalties</i>

Segunda, 07 de Setembro de 2009 às 07:49, por: CdB

A menos de cinco quilômetros do Centro de Macaé, no Norte fluminense, o bairro de Lagomar é um retrato da migração desordenada para  a cidade, pólo da indústria petrolífera no Rio de Janeiro. Atualmente, com mais de 40 mil moradores, o bairro de 323 hectares cresceu sem ordenamento urbano e sofre com falta de infraestrutura.

Residente no local há mais de vinte anos, o baiano Jurandir Brás conta que foi atraído pelas ofertas de emprego quando começou a exploração da Bacia de Campos – responsável por cerca de 80% da produção nacional de petróleo.

Assistiu o inchaço de Lagomar, que acolheu outros imigrantes, dos quais boa parte nordestinos, mas que não foi acompanhado de políticas públicas.

– A rede de saneamento básico, em obras, não contempla todo o bairro. Não temos creches, sendo que precisávamos de pelo menos de cinco. Escola só tem de 1º a 4º série e faltam médicos no posto de saúde –, contou Brás.

– As crianças ficam pelas ruas. E os jovens, sendo cooptadas pelo tráfico e por milícias. Isso já chegou aqui –, acrescentou.

Presidente da Sociedade de Amigos de Lagomar, Wagner Cordeiro lamenta que os royalties de Macaé - um dos repasses mais altos no estado - não sejam empregados em maior escala na localidade.

Segundo ele, as obras na rede de saneamento e asfalto, embora emergenciais, são mal feitas e insuficientes para melhorar a qualidade de vida.

Cordeiro destaca a situação de vulnerabilidade de boa parte dos moradores, que consomem água de fossa, sem tratamento adequado, moram amontoados em casas simples - muitas com banheiros do lado de fora. Ele se diz preocupado, ainda, com o assoreamento de lagoas do Parque Nacional da Reserva de Jurubatiba, que faz limite com o bairro.

Conforme conta, a associação não consegue impedir a construção de novas casas perto das lagoas porque os moradores não encontram alternativa de habitação. Assim, cobra do governo a fiscalização dos limites do parque, com guardas municipais, programas habitacionais e “moralização na aplicação dos royalties”.

Para Cordeiro, sem acompanhamento público e orçamento participativo o dinheiro nunca vai chegar à cidade.

De acordo com a prefeitura de Macaé, foram investidos em Lagomar R$ 29 milhões na rede de esgoto e águas pluviais. O prefeito, Riverton Mussi, avalia que a situação melhorou nos últimos anos, com investimentos também no asfaltamento de ruas, ampliação do Programa Saúde da Família e moradias populares. No entanto, pondera, “os problemas são muito antigos para serem resolvidos em pouco tempo”.

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