Rio de Janeiro, 30 de Abril de 2026

Problemas com minorias são o foco de disputa presidencial na França

Sexta, 25 de Novembro de 2005 às 09:54, por: CdB

  O primeiro-ministro francês e seu ambicioso ministro do Interior apresentaram nesta sexta-feira visões diferentes a respeito de como ajudar as minorias a conseguirem empregos. Dessa forma, eles delineiam como será a batalha pela sucessão presidencial em 2007. Em resposta a três semanas de distúrbios provocados por jovens frustrados das periferias, o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, explicou em um artigo de jornal por que defende a discriminação positiva, ou ação afirmativa, para reduzir o desemprego entre as minorias. "Proclamar a igualdade diante da lei não basta mais: de agora em diante, também precisamos promover a igualdade pela lei", escreveu ele no Le Figaro. "Não podemos continuar aceitando que um crescente número de indivíduos tenha seus destinos escritos de antemão."

A resposta do primeiro-ministro Dominique de Villepin, que deve disputar com ele a candidatura de centro-direita às eleições presidenciais, veio em uma entrevista de rádio também nesta sexta-feira, na qual ele dizia que não há espaço para a discriminação positiva em um Estado construído sob a noção de oportunidades iguais para todos. - Dizemos que, quando houver desigualdades, vamos corrigi-las. Mas não devemos consertá-las renunciando ao nosso modelo francês, um modelo universal sob o qual cada indivíduo é respeitado pelo que é, independente da sua cor, disse Villepin à rádio RTL.
- Devemos corrigir as desigualdades e consertar as deficiências, mas sem levar em conta a etnia ou a religião - que é a natureza da discriminação positiva, disse ele.

Villepin, 52, disse compartilhar com Sarkozy o objetivo de garantir que as minorias estejam em pé de igualdade com os demais, mas deixou claro que sua palavra é a que vale no governo conservador. - O que fazemos quando enfrentamos uma situação difícil? O que fazemos na nossa família? Conversamos, discutimos as coisas. Dizemos o que pensamos, e então decidimos. Eu estabeleço o rumo e todos se colocam por trás disso, afirmou.

No ano passado, o presidente Jacques Chirac usou mais ou menos as mesmas palavras para colocar Sarkozy no seu devido lugar. Na época, Chirac afirmou que ele dava as ordens e que o ministro as cumpria.
O tema da discriminação positiva representa a diferença mais visível entre Sarkozy, Villepin e Chirac nas últimas semanas, embora o ministro, de 50 anos, dirija o partido de centro-direita ao qual os três pertencem.

Sarkozy não esconde seu desejo de ser presidente da França. Chirac, 72, não deve disputar um terceiro mandato, e Villepin, aliado incondicional do presidente, não declarou ainda quais são seus planos eleitorais.
Mas o primeiro-ministro seguiu o exemplo de Sarkozy ao visitar subúrbios pobres para ver de perto os seus problemas, em um tipo de aparição que cada vez mais parece ter objetivos eleitorais.

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