Rio de Janeiro, 18 de Outubro de 2026

Pró-AIG0 não acalma mercado e Bovespa desaba 6,74%

Diferente do imaginado, o socorro do Federal Reserve à seguradora AIG não conseguiu acalmar o mercado em relação à crise financeira norte-americana, levando os mercados, incluindo a Bolsa de Valores de São Paulo, a outro dia de perdas maciças. O Ibovespa tombou 6,74%, aos 45.908 pontos, nível mais baixo desde abril do ano passado. (leia mais)

Quarta, 17 de Setembro de 2008 às 15:36, por: CdB

Diferente do imaginado, o socorro do Federal Reserve à seguradora AIG não conseguiu acalmar o mercado em relação à crise financeira norte-americana, levando os mercados, incluindo a Bolsa de Valores de São Paulo, a outro dia de perdas maciças.

O Ibovespa tombou 6,74%, aos 45.908 pontos, nível mais baixo desde abril do ano passado. A volatilidade intensa mais uma vez contribuiu para dar vulto ao giro financeiro, que chegou aos 7,46 bilhões de reais, o maior em sessões regulares desde 30 de julho.

Para profissionais do mercado, devido à rapidez e intensidade dos acontecimentos, os investidores seguiram de olhos fechados a qualquer indicativo fundamentalista como parâmetro para as negociações.

- A palavra de ordem é a busca por liquidez - resumiu Ricardo Tadeu Martins, gerente de pesquisa da corretora Planner.

Num instante, o pacote de salvamento da AIG anunciado na terça-feira à noite pelo Fed, que parecia dar algum alívio ao mercado, foi substituído por rumores sobre a saúde financeira de outros colosso financeiros, como o banco norte-americano Morgan Stanley e a agência hipotecária britânica HBOS.

O resultado foi uma chuva de ordens de venda contra papéis de empresas financeiras no mundo todo. Em Wall Street, o setor impôs ao Dow Jones uma perda de 4,06%, arrastando-o ao menor nível desde novembro de 2005. Nasdaq e S&P 500 tiveram a maior queda diária desde setembro de 2001.

Depois do fechamento do pregão, fontes informaram que o controle da HBOS teria sido assumido pelo banco Lloyds. Ao mesmo tempo, segundo o New York Times, o Morgan Stanley teria admitido estudar uma fusão com o Wachovia, e o Washigton Mutual se colocou à venda.

Mesmo à distância, o movimento foi acompanhado na Bovespa, cujo principal índice registrou queda de todas as 66 ações que compõem a carteira. Desde que atingiu a máxima de 73.516 pontos em 20 de maio, o Ibovespa já amarga desvalorização de 37,6%.

As ações de empresas ligadas a commodities, as de maior liquidez, pagaram o preço de serem a porta mais larga para saída dos investidores. Usiminas tombou 9,8%, a 37,99 reais. Vale perdeu 7,7%, valendo 32,20 reais. Mais atrás, Petrobras recuou 4,8%, cotada a 29,80 reais.

Para profissionais do mercado, embora os fundamentos macroeconômicos e os das empresas domésticas permaneçam sólidos, a Bovespa vem sofrendo por tabela o desmonte da exposição de grandes investidores internacionais a outros mercados emergentes.

- Os mercados dos outros países que compõem o Bric (Índia, China e Rússia) tiveram quedas muitos superiores aos da bolsa brasileira. Mas para não ficar demasiadamente expostos a ativos do Brasil, os investidores também estão vendendo papéis aqui - disse Walter Mendes, diretor de renda variável do Itaú.

Segundo ele, um dos fatores que já começa a ser considerado na avaliação dos investidores são os desdobramentos da atual crise para a macroeconomia mundial.

- Já não sabemos se a desaceleração econômica será leve - disse.

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