Por bbc 25/05/2011 às 13:42
Imagens de satélite mostram que 'campos estão cada vez maiores' (Foto: Anistia Internacional)
O regime norte-coreano parece estar mandando cada vez mais prisioneiros políticos para campos de detenção, informou nesta terça-feira a ONG Anistia Internacional, que disse usar fotos de satélite como base para suas conclusões.
O recluso regime de Pyongyang nega que haja campos de detenção no país. Mas a Anistia afirma que os locais existem desde os anos 1950 e abrigam, atualmente, estimadas 200 mil pessoas.
As fotos de satélite, segundo a ONG de direitos humanos, mostram que os campos estão aumentando de tamanho, com a construção de novas instalações físicas.
O fato causa alarme num momento em que se especula que o líder Kim Jong-il ? que, acredita-se, tem a saúde debilitada ? esteja preparando sua sucessão.
?Enquanto a Coreia do Norte parece estar se preparando para um novo líder, Kim Jong-un (filho de Kim Jong-il), e para um período de instabilidade política, a grande preocupação é que os campos de detenção parecem estar cada vez maiores?, declarou Sam Zarifi, diretor da Anistia para a região Ásia-Pacífico.
?Esses lugares estão escondidos dos olhos do resto mundo e ignoram as proteções aos direitos humanos que o direito internacional tentou estabelecer nos últimos 60 anos.?
Maus-tratos
O relatório da Anistia afirma, a partir de relatos de ex-detentos e guardas, que os prisioneiros desses campos são torturados, passam fome e são forçados a trabalhar em regime que beira a escravidão.
?Todos os detentos da prisão política de Yodok testemunharam execuções públicas (de outros prisioneiros)?, diz o texto.
Kim, um ex-prisioneiro de Yodok entrevistado para o relatório, contou que ?todos os que tentaram escapar (do local) foram pegos. Eles eram interrogados por dois ou três meses e depois eram executados?.
Alguns dizem que, para suportar a ausência de refeições, se alimentaram de ratos e de grãos de milho encontrados em meio a dejetos de animais.
O governo norte-coreano não fez até o momento nenhuma declaração sobre o relatório da Anistia