Presidente de facto há perto de 400 dias, Temer perde espaço político na base aliada e no Judiciário, com a prisão de Rocha Loures
Por Redação - de Brasília
A prisão do suplente de deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), na manhã deste sábado, deixa mais curto o caminho do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF) para a remoção do presidente de facto, Michel Temer, nas próximas semanas. Na próxima terça-feira, começa o julgamento do pedido de cassação da chapa Dilma-Temer, no Tribunal Superior Eleitoral.
Ainda que algum dos magistrados peça vistas ao processo e amplie o prazo para decisão quanto à permanência de Temer no Palácio do Planalto, caberá ao STF transformá-lo em réu. Ainda assim, para que seja julgado no Supremo, a Câmara dos Deputados precisará autorizar, ou não, a continuidade da ação.
Serão precisos apenas 178 votos para impedir que a Corte Suprema o julgue. Mas, na velocidade em que a base aliada se desidrata, analistas políticos ouvidos pela reportagem do Correio do Brasil já passam a duvidar deste quórum.
Delação de Loures
Uma vez no presídio da Papuda, para onde Rocha Loures será transferido, nas próximas horas, aumenta a possibilidade da delação premiada. O ex-parlamentar teria cogitado delatar seu chefe imediato no Palácio do Planalto, onde atuou como assessor direto da Presidência da República. Na delação do empresário Joesley Batista, dono da JBS, Rocha Loures é apresentado por Michel Temer como homem de sua inteira confiança.
Loures ficou conhecido do público ao sair correndo de dentro de um restaurante, na capital paulista, com uma mala cheia de propina. Eram R$ 500 mil, pagos pela JBS. A mulher de Rocha Loures está grávida, nos últimos dias de gestação e a família já havia sugerido que ele faça uma delação premiada, para reduzir a pena em crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha, entre outros.
O advogado Cezar Bitencourt relata que Loures foi preso nesta manhã, no apartamento onde mora na Capital Federal. Bitencourt oferece, ainda, a dimensão do poder exercido pela Corte Suprema no caso, que também envolve Michel Temer.
Erro de Temer
Segundo o advogado, o ministro Edson Fachin decretou a prisão sem avaliar, ainda, os argumentos preliminares da defesa. Para o magistrado, não havia mais motivo para que Loures permanecesse livre, diante tamanhas evidências dos crimes cometidos. Ele perdeu o foro privilegiado no momento em que o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) reassumiu o mandato. Serraglio soube que havia sido demitido do Ministério da Justiça pela mídia.
Diante do escárnio público, Serraglio recusou-se a ser movido para um outro posto no governo. Loures é o primeiro suplente da bancada peemedebista do Paraná, na Câmara. Os outros três deputados recusaram-se a assumir um posto na Esplanada dos Ministérios. Estava selada a sua prisão.
Michel Temer planejava passar o fim de semana em sua mansão, na capital paulista, mas desistiu da ideia. Voltou a Brasília tão logo soube que Rocha Loures estava preso. Até o fechamento dessa matéria, o Palácio do Planalto ainda não havia se pronunciado sobre o assunto.