A prisão de ventre, nome popular para a constipação intestinal, afeta cerca de 20% da população brasileira, ou seja, uma a cada cinco pessoas - e, sobretudo as mulheres. Mas a maioria não dá muita atenção a ela, o que pode ser um descuido grave, alertam especialistas.
- A prisão de ventre é um sintoma de que algo está errado. Pode indicar a existência de doenças como o hipotireoidismo, distúrbio no metabolismo de cálcio, intoxicação pelo chumbo, hérnias internas, Doença de Chagas e até câncer - adverte o médico Arnaldo Ganc, gastroenterologista do hospital Albert Einstein, em São Paulo.
- Hábitos intestinais que mudam na idade adulta devem ser investigados freneticamente -aconselha.
O uso de certos medicamentos, como antidepressivos, também pode levar à constipação. Mas dieta alimentar fraca em fibras e líquidos e fatores psicológicos são as principais causas.
- A mulher é mais reservada, tem mais pudor e não respeita a vontade natural de evacuar, o que é um erro. As fezes, quando retidas, ficam ressecadas, o que dificulta sua eliminação -explica Flávio Steinwurz, diretor do departamento de Gastroenterologia da Associação Paulista de Medicina.
Por isso, além da ingestão de fibras em quantidade equilibrada - o excesso causa gases, indisposição e aumenta a barriga - a principal recomendação médica é "respeitar a vontade de ir ao banheiro", ensina Ganc.
- Não evacuar quando o corpo pede, inibe o reflexo natural enviado pelo cérebro. Quando isto acontece diversas vezes, este reflexo involuntário desaparece e surge a dificuldade constante em evacuar. Aí não adianta se encher de fibras. O mais importante é tentar resgatar esses reflexos. Por isso, é preciso ir ao banheiro toda vez que surgir a vontade - disse.
Mas a boa notícia é que, com orientação médica, você pode se livrar de uma vez deste mal.