No meio da operação de 1.350 homens que entraram no conjunto de favelas do Alemão, no subúrbio do Rio, um deles, que participou do planejamento logístico da ação, já persegue o chefe da quadrilha de traficantes da área, Antônio José de Souza Ferreira, o Tota, há alguns anos.
O coronel Marcus Jardim Gonçalves, comandante do 16º BPM, batalhão que responde pelos bairros de Olaria, Ramos e Bonsucesso, que cercam o Alemão, lamenta que ainda não tenha sido desta vez que o traficante foi preso, mas garante que está perto de alcançá-lo.
— Ele transformou essa unidade militar num batalhão de guerra, com sua quadrilha violenta. Vamos continuar atrás dele. Botar esse sujeito atrás das grades é uma questão de honra. O Alemão é prioridade enquanto ele estiver na rua — garante.
Caçada desde 2005 em Niterói
A perseguição de Marcus Jardim a Tota começou em 2005, quando o criminoso ocupava o Caramujo, um conjunto de 12 favelas em Niterói, Região Metropolitana. Foi ali que o traficante começou a se articular com quadrilhas de outras favelas como as dos morros da Mangueira, Providência, Jacarezinho, Cidade Alta e Manguinhos, em bairros do subúrbio do Rio. Com prestígio entre o grupo e o aval dos chefões presos em Bangu, Tota montou uma espécie de quartel-general no Alemão. No mesmo período, o coronel foi transferido para o batalhão de Olaria.
Mas o policial acredita que Tota já não tenha o mesmo respaldo dos antigos aliados. — Eu tenho informação de que não estão satisfeitos com ele. Afinal, a quadrilha está tendo muitas baixas, com a morte de integrantes do grupo, além do prejuízo com a apreensão de armas e drogas que estamos fazendo — declarou.
'Guerra agora é para valer'
Para Marcus, a operação, antes de tudo, serviu como mensagem de alerta para os traficantes. — Se continuarem nessa progressão, audaciosos, faremos quantas operações forem necessárias. Não vamos deixar que eles continuem com essa cultura de de duelar e matar policiais — disse. — Sentiram o peso do poder da polícia. É lógico que eles vão tentar se organizar, mas estamos atentos. A caçada continua e agora a guerra é para valer — afirmou.