Rio de Janeiro, 20 de Setembro de 2026

Prisão de Polanski é acordo Suíça-EUA

Ameaçada pelos Estados Unidos, a Suíça assinou um acordo bilaterial que permite absurdos como a prisão de Roman Polanski, mesmo por delito cometido há 31 anos e já prescrito. (Leia Mais)

Domingo, 27 de Setembro de 2009 às 16:27, por: CdB

Ameaçada pelos Estados Unidos, a Suíça assinou um acordo bilaterial que permite absurdos como a prisão de Roman Polanski, mesmo por delito cometido há 31 anos e já prescrito.
 
No filme O Terceiro Homem, de Orson Welles, a Suíça é tratada como fabricante de cucos, mas se poderia acrescentar, alguma coisa mais grave que seus relógios cucos, sua cumplicidade na Segunda Guerra, seu segredo bancário receptador das riquezas do terceiro mundo e, agora acuada por Kadhafi e pelos EUA, depois das fraudes de seu banco UBS, seus exercícios genuflexórios diante de um e do outro.
 
Pior, porém, que tudo isso, é a falta de uma consciência política e cultural, mesmo sendo um país rico, coisa que enfurecia o dramaturgo Durenmatt e o escritor Max Frisch, sem se esquecer os acessos de ira do sociólogo e escritor Jean Ziegler, todos os três suíços. A Suíça é rica, mas infelizmente inculta e sem visão.
 
Depois de ter adotado uma postura de prepotência, durante a guerra fria, sem se importar com a origem de sua riqueza, se vinha de ditadores como Mobutu ou das contas bancárias roubadas dos judeus por seus bancos sem escrúpulos, agora a Suíça, sozinha e abandonada por não ter entrado na União Européia, se esmera no exercício hipócrita do lava e lambe pés.
 
É num desses exercícios de submissão, que a ministra da Justiça suíça, que não se pode esquecer ser do Partido do Povo, extremista de direita, autorizou a prisão, 31 anos depois, do cineasta polonês-franês Roman Polanski. A Suíça acaba de assinar um convênio com os EUA, na qual assume todas as consequências das fraudes cometidas por seu ex-maior banco UBS, quase levado à falência por malversações. E para se mostrar dócil, cordeira e grata aos EUA por ter poupado dar uma multa magistral no UBS que marcaria seu fim, quer mostrar serviço “fazer tudo o que se mestre mandar”.
 
Roman Polanki, aos 76 anos, uma glória do cinema mundial, sobrevivente do holocausto nazista, cuja mulher, Sharon Tate, foi assassinada em Los Angeles por um maluco, que extraiu do seu ventre de grávida um bebê de sete meses,  foi preso em Zurique, por ter mantido, em 1978, relações consentidas com uma menor, que, há alguns anos, já quarentona, declarou já ter retirado há tempos sua queixa contra o consagrado cineasta, autor de algumas obras-primas do cinema como O Baile dos Vampiros, O bebê de Rosemary e O Pianista.
 
Na França, para não dizer no mundo culto, entre artistas e intelectuais, esse absurdo provoca estupefação. Mesmo entre os juristas, porque o delito já prescreveu. Porém, uma coisa é bem reveladora da hipocrisia suíça – Roman Polanski tem um chalé em Gstaad há muitos anos e nunca foi incomodado. Sua prisão ocorre alguns dias depois da assinatura de uma convenção bilateral suíço-americana, na qual a Suíça para salvar seu banco UBS fraudulento decidiu, é o que se deduz, se submeter a tudo, inclusive a fazer o papel mercenário da busca de pessoas procuradas por delitos mesmo prescritos, nos EUA.
 
O caso Roman Polanski, ameaçado de extradição para os EUA, tem pontos de contato com o caso Cesare Battisti. É Javert querendo fazer justiça mais de trinta anos depois.

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