Rio de Janeiro, 10 de Outubro de 2026

"Princípios" da Globo contra a liberdade

Segunda, 08 de Agosto de 2011 às 06:33, por: CdB

Por Altamiro BorgesCom grande alarde no Jornal Nacional e nos demais veículos do seu império midiático, a Rede Globo divulgou na semana passada um longo documento com os seus “princípios editoriais”. O texto, enfadonho, risível e cínico, não é gratuito. Ele tem como alvo a blogosfera e as redes sociais, que minam a sua credibilidade e causam a queda de tiragem do seu jornal e da audiência de sua emissora. Já na abertura, a Globo mostra que não tem qualquer princípio ou compromisso com a verdade. Em tom arrogante, o texto afirma: “Desde 1925, quando O Globo foi fundado por Irineu Marinho, as empresas jornalísticas das Organizações Globo, comandadas por quase oito décadas por Roberto Marinho, agem de acordo com princípios que as conduziram a posições de grande sucesso: o êxito é decorrência direta do bom jornalismo que praticam. Certamente houve erros, mas a posição de sucesso em que se encontram hoje mostra que os acertos foram em maior número”.As razões do "sucesso"O texto não explica como o império atingiu “a posição de sucesso”. Nada fala sobre o acordo ilegal com a Time-Life, multinacional estadunidense, na criação da TV Globo. Não aborda as relações promiscuas com a ditadura militar, que garantiram a expansão da empresa. Quanto ao “bom jornalismo”, ele não faz autocrítica do seu clamor pelo golpe de 1964, do seu apoio à ditadura, da sabotagem às Diretas-Já, das tentativas de desestabilização do governo Lula, da criminalização dos movimentos sociais.O documento apresenta um monte de baboseiras sobre “isenção”, “neutralidade”, “imparcialidade”. Na prática, ele visa ser um contraponto às críticas crescentes dos internautas. O império faria o “bom jornalista”; já a blogosfera e as redes sociais fariam “propaganda política”. Roberto, João e José, os filhos de Roberto Marinho, parecem temer o crescimento da internet, que hoje faz a disputa contra-hegemônica e enfrenta as manipulações dos monopólios midiáticos.“Com a consolidação da Era Digital, em que o indivíduo isolado tem facilmente acesso a uma audiência potencialmente ampla para divulgar o que quer que seja, nota-se certa confusão entre o que é ou não jornalismo, quem é ou não jornalista, como se deve ou não proceder quando se tem em mente produzir informação de qualidade”, resmunga o documento. Em outras palavras, a Rede Globo detesta a verdadeira liberdade de expressão, teme que novas vozes se expressem.

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