O príncipe Bandar bin Sultan, chefe do Conselho de Segurança da Arábia Saudita, recebeu centenas de milhões de dólares da BAE Systems, a maior empresa bélica do Grã-Bretanha.
O príncipe, filho do ministro da Defesa saudita, participou da negociação de um contrato de venda de 100 aviões militares da Grã-Bretanha para a Arábia Saudita em 1985 no valor de 40 bilhões de libras - pouco mais de R$ 150 bilhões.
Com conhecimento do governo britânico, a BAE Systems depositou o equivalente a até 120 milhões de libras (cerca de R$ 450 milhões) por ano em duas contas da embaixada Saudita em Washington - onde Bandar foi o titular por cerca de 20 anos. Não está claro por quantos anos os pagamentos foram feitos.
O programa de TV Panorama, da BBC, obteve evidências de que uma das contas era usada no pagamento das despesas do avião particular do príncipe, um Airbus.
O príncipe Bandar se recusou a comentar o assunto, e a BAE Systems declarou ter agido sempre dentro das leis britânicas.
O Ministério da Defesa da Grã-Bretanha, que autorizava os depósitos trimestralmente, também se recusou a comentar as acusações, afirmando que as informações em relação ao chamado contrato Al Yamamah são confidenciais.
O ex-diretor presidente da BAE Raymond Lygo disse à BBC não saber "nada sobre o príncipe".
- Eu fui um dos que conseguiu o contrato. Eu teria me lembrado do nome -, disse.
Questionado sobre os depósitos, Lygo disse que também não tinha informação sobre eles.
- Eu não estava a par, então, para mim, eles não estavam ocorrendo -, disse.
Mas Lygo admitiu que a empresa paga comissões por suas vendas.
- Nós pagamos intermediários. Não há nada ilegal nisso. Era em absoluta concordância com a lei... Não havia nada irregular no negócio -, disse.
David Caruso, um investigador que trabalhou para o banco onde a embaixada tinha as contas, disse que o príncipe sacava dinheiro para uso pessoal de contas que pareciam pertencer ao governo saudita.
- Não havia distinção entre as contas da embaixada, que eu chamaria de contas oficiais do governo, e as contas da família real -. disse Caruso.
Caruso disse entender que isso aconteceu por "anos e anos". De acordo com as fontes do Panorama, os pagamentos estavam previstos em anexos secretos do contrato de vendas dos aviões e eram atribuídos a "serviços de apoio".
Ainda não está claro se os pagamentos eram ilegais na Grã-Bretanha, já que a lei que tornou um crime o suborno de autoridades estrangeiras só entrou em vigor em 2001.
Os pagamentos foram descobertos em uma investigação do Serious Fraud Office - o departamento britânico de "fraudes graves" - mas o inquérito foi arquivado em 2006 pelo procurador-geral Peter Goldsmith.
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, se recusou a comentar as acusações, mas afirmou que, se a investigação a respeito do contrato não tivesse sido interrompida, ela teria levado à "destruição completa de uma relação estratégica vital e à perda de milhares de empregos britânicos".
Príncipe saudita recebeu milhões de fabricante de armas
Quinta, 07 de Junho de 2007 às 15:07, por: CdB