O príncipe Charles, da Grã-Bretanha, encontrou-se com o presidente do Irã, Mohammad Khatami, nesta segunda-feira,, em Terrã, na primeira visita de um membro da família real britânica à República Islâmica desde a revolução de 1979 que derrubou o xá Reza Pahlevi. Charles deverá ir ainda nesta segunda-feira à cidade de Bam, destruída por um forte terremoto em 26 de dezembro e no qual morreram mais de 40 mil pessoas. A última viagem oficial de membros da realeza britânica ao Irã foi há 33 anos.
O Irã vive um momento de tensão política desde que Khatami e seus aliados reformistas entraram em choque com religiosos linha-dura, que tentaram desqualificar centenas de candidatos da eleição parlamentar deste mês. A visita também coincide com as celebrações, nesta semana, do 25º aniversário da revolução do aiatolá Ruhollah Khomeini para criar um Estado islâmico no Irã.
As relações entre o Irã e a Grã-Bretanha sofreram diversos abalos desde a revolução, especialmente depois que Khomeini emitiu uma ordem religiosa, no final dos anos 1980, pedindo a morte do escritor britânico Salman Rushdie por ter insultado o Islã.
Autoridades britânicas ressaltaram que a visita de Charles é puramente humanitária, com o foco em Bam. Mas alguns jornais iranianos deram um peso político à viagem. ``Esta visita simbólica é um ponto de mudança nas relações do Irã com o Ocidente'', afirmou o jornal liberal Sharq em editorial de capa.
Fotógrafos que receberam permissão para entrar no início do encontro com Khatami disseram que Charles contou ao presidente que está sofrendo de dor nas costas. Khatami, de 60 anos, recebeu ordens médicas de repouso na semana passada também por dor nas costas e disse ao príncipe, de 55 anos, que ``era sinal da idade''.