Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Príncipe Charles comete gafe ao cumprimentar Mugabe no Vaticano

Sexta, 08 de Abril de 2005 às 11:30, por: CdB

Na véspera de seu casamento, o príncipe Charles da Inglaterra cumprimentou nesta sexta-feira, sem querer, o controverso presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, durante o funeral do papa João Paulo II, no Vaticano, confirmou a Clarence House, residência oficial do herdeiro do trono britânico.

O príncipe, separado do presidente zimbabuano por um assento na área reservada a líderes mundiais:

- Foi tomado por surpresa e em uma posição na qual não pôde evitar estender a mão ao senhor Mugabe - explicou um porta-voz de Clarence House.

Segundo a fonte, o filho mais velho da rainha Elizabeth II considera "detestável o atual regime zimbabuano" e, além disso:

- Apoiou o Fundo de Ajuda e Defesa do Zimbábue, que trabalha com os oprimidos pelo regime.

- O príncipe, acrescentou o porta-voz - se reuniu recentemente com Pius Ncube, arcebispo de Bulawayo (oeste do Zimbábue), um declarado crítico do governo - de Mugabe.

O herdeiro da Coroa acabou se metendo em uma embaraçosa situação na véspera de seu casamento com Camilla Parker Bowles, com quem se casará amanhã pelo civil, na Prefeitura de Windsor (arredores de Londres).

A saudação do príncipe Charles lembrou um gesto similar do ministro britânico de assuntos Exteriores, Jack Straw, que no ano passado foi duramente criticado por apertar a mão de Mugabe na sede da ONU, em Nova York.

O chefe de Estado africano, de 81 anos e católico, viajou para Roma apesar de, desde 2002, a União Européia (UE) manter sanções contra o Zimbábue e impedir Mugabe de entrar ou transitar por países-membros.

No entanto, as autoridades italianas permitiram a entrada de Mugabe, pois a Itália é signatária de tratados internacionais com o Vaticano, relacionados, entre outros assuntos, com as visitas de chefes de Estado.

As sanções da UE foram impostas em 18 de fevereiro do 2002, por causa da intimidação do regime de Harare contra a oposição política e o assédio a meios de comunicação independentes.
O presidente zimbabuano, no poder há 25 anos, alcançou uma importante vitória nas eleições parlamentares da semana passada, denegridas pelas dúvidas de fraude e criticadas por governantes como o primeiro-ministro britânico, Tony Blair.

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