Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Primo de Saddam será executado em menos de um mês

Responsável por genocídio de curdos será executado por enforcamento, depois do governo iraquiano aprovar a sentença.

Sexta, 29 de Fevereiro de 2008 às 06:32, por: CdB

A Presidência do Iraque aprovou a execução de Ali Hassan al-Majeed, conhecido como 'Ali Químico', primo e um dos aliados mais próximos do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein e também um dos homens mais temidos do Iraque. Al-Majeed, condenado por genocídio e responsabilizado pela morte de 100 mil curdos em uma campanha militar no norte do Iraque em 1988, a operação Anfal, deverá ser executado nos próximos 30 dias.

Al-Majeed ficou conhecido como 'Ali Químico' pela uso intenso de gás mostarda e outros elementos químicos na campanha contra os curdos. Ele foi condenado em junho do ano passado junto a outros dois ex-colaboradores de Saddam, o chefe militar Hussein Rashid al-Tikriti, e o ex-ministro da Defesa Sultan Hashem. Os três deveriam ter sido enforcados em outubro passado, mas a condenação de Hashem causou uma disputa política, depois que líderes sunitas afirmaram que ele não era moralmente culpado, pois 'estava apenas cumprindo ordens'.

A solução parece ter sido finalmente encontrada para acelerar a execução de Majeed, cuja morte é esperada com ansiedade pelos xiitas e curdos, que sofreram terrivelmente pelas mãos do primo do ex-ditador.

Críticas

Na ocasião, o vice-presidente sunita Tareq al-Hashemi se recusou a assinar a sentença. A Presidência então entrou em disputa com o primeiro-ministro, que também criticou a Embaixada americana por não entregar os três prisioneiros para a execução – eles permanecem sob poder dos Estados Unidos. Agora o conselho da Presidência aprovou a sentença, mas apenas para Ali Químico, cuja execução deve ser realizada nos próximos 30 dias, segundo as leis iraquianas.

Campanha Anfal

A Anfal (em português: Espólios de Guerra) ocorreu entre fevereiro e agosto de 1988. Oficialmente, foi uma campanha de repressão contra o movimento separatista curdo no norte do país. Com a morte de 180 mil civis, os curdos vêem a campanha como um genocídio. Foram usados gás mostarda e agentes nervosos nos ataques. Outras vítimas foram sumariamente executadas, ou morreram em cativeiro.

Os outros dois condenados por esta campanha, no entanto, permanecem num limbo, sem saber se terão a sentença confirmada, ou não. A disputa continua indefinida e pode durar infinitamente, mas parte da pressão diminuiu com a confirmação da sentença de Al-Majeed.

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